Não houve empolgação da parte de Antonela ao ouvir o advogado. Para ela, não fazia diferença com quem Adam estaria ou quem teria mais poder sobre a vida dele. Agora ela estava casada com Benjamim, eles eram uma família. Ela podia ver o filho diariamente, Benjamim a amava, nada poderia separá-los.
Mas Benjamim estava envolvido na conversa e parecia empolgado com a possibilidade de devolver a guarda do filho à mãe dele. Talvez ele não entendesse que agora, casado com Antonela, não importasse quem tivesse mais responsabilidade, mas Benjamim havia feito uma promessa e ele pretendia cumpri-la.
— O juiz marcou uma nova audiência para daqui a quinze dias – o advogado entregou o documento para Antonela – esteja preparada, Antonela.
Ela não disse nada, apenas sorriu e o viu partir em seguida, mas Benjamim percebeu o comportamento dela e, enquanto subiam as escadas, ele a questionou.
— Não parece animada em ter a guarda do Adam de volta – observou e ela não olhou nos olhos dele.
— O Adam é nosso agora – ela disse, quando eles pararam em frente ao quarto do menino – mas se é importante para você, siga em frente.
Benjamim carregava Adam adormecido nos braços, entrou no quarto, o colocou sobre a cama e depois seguiu com Antonela para o quarto que agora eles compartilhavam. Ele ficou feliz com a resposta dela e sentiu que Antonela confiava tanto naquele relacionamento que para ela não fazia diferença uma decisão judicial. Adam sempre seria deles dois.
Na manhã seguinte, ele precisou sair às pressas. Antonela ainda dormia e ele decidiu não a acordar. Quando chegou em frente ao prédio da empresa, o lugar estava cercado por jornalistas. Era como se aquelas pessoas jamais o deixassem em paz.
Percebeu então que não tinha como fugir. Precisava passar no meio deles para entrar no prédio. Esgueirou-se silenciosamente enquanto era bombardeado por perguntas e acusações. O assunto principal: os crimes de Carlota.
Ela havia conseguido jogar o nome da sua família na lama.
Benjamim sentiu o suor escorrendo por dentro da sua camisa quando finalmente conseguiu entrar no prédio. Deu ordens aos seguranças para tirar toda aquela gente de frente à empresa. Aquilo passava uma péssima impressão a todos os seus sócios e investidores. Benjamim temeu que as acusações contra a sua mãe afetassem seus negócios pela segunda vez.
— Preciso sim – ela girou o olhar e sentando-se à sua frente – a minha mãe está com problemas de saúde. Fiquei desesperada, Benjamim, sem saber para quem pedir ajuda. Então, eu fui à sua casa.
Benjamim olhou nos olhos dela, que imediatamente encheram-se de lágrimas. Helen realmente estava sendo sincera. Dominique estava certa quando dizia que a mulher estava abatida.
— Sinto muito – ele disse e percebeu que o seu plano de manter Helen afastada de vez, minguava como água em suas mãos – o que sua mãe tem?
— Um problema sério no coração. Vai passar por uma cirurgia hoje à noite – ela fez uma pequena pausa e, engolindo o choro, voltou a falar em seguida – você sabe o quanto sou apegada a ela e não tenho nenhum parente na cidade. Estou um pouco perdida e me sentindo sozinha nesse momento difícil.
A última coisa que Benjamim pretendia era ser um canalha e expulsar a mulher de seu escritório, acabando com a sociedade entre eles, depois dela rasgar seu coração diante dele. Ele não era esse tipo de pessoa, embora soubesse que, mantendo Helen por perto, poderia ruir seu casamento.

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