Henrico caminhou mais alguns quilômetros a pé até a empresa de Benjamim. Era uma distância significativamente grande e seus pés começaram a doer.
O velho carro da família permanecia na garagem de casa e não era usado há anos. Henrico não podia se dar ao luxo de gastar com combustível e assim ele caminhava por toda a cidade para fazer seus negócios.
Poderia ter pedido a Alessia para levá-lo até ali, já que ela usava o veículo que o próprio Benjamim havia emprestado a ela, mas com o clima ruim que havia se instaurado entre eles, o melhor era mantê-la distante.
Pegou o elevador solitário e, enquanto ele subia, Henrico pensava em tudo o que diria ao genro de modo a pressioná-lo para que aquele casamento acontecesse o mais rápido possível.
Nas mãos estava o jornal que ele havia jogado na direção de Fabrício e que revelava toda a traição de Benjamim. Henrico não conseguia pensar em outra coisa, além disso.
Ao sair, viu Antonela concentrada no trabalho. Não percebeu ele se aproximar. Por um momento ele ficou apenas deslumbrando a beleza da filha. Como ela se parecia com Francesca. Tinha os mesmos olhos, o mesmo cabelo.
Antonela se assustou quando seus olhos recaíram sobre Henrico parado em sua frente. Teve a leve impressão que os olhos dele até brilhavam, mas isso logo desapareceu como um vislumbre. Prontamente seu semblante se modificou para enfarruscada e Henrico voltava a ser o velho rabugento de sempre.
Ele se inclinou, colocando as duas mãos sobre a mesa dela e lançando um olhar afiado lhe disse:
— Diga-me, Antonela, até quando planeja ficar na cidade?
A pergunta a princípio foi ameaçadora, mas Antonela não parecia ficar impressionada. Henrico sempre agiu assim com ela. Nem um ato de amor ou consideração com a própria filha.
— E por qual motivo eu iria embora da cidade, pai? – perguntou-lhe, desviando o olhar e voltando a se concentrar no trabalho que realizava – eu agora tenho um bom emprego e estou do lado das pessoas que realmente amo. Não tenho motivos para partir.
A resposta dela o irritou profundamente. Se colocou em uma postura ereta e com um único gesto lançou o jornal sobre a mesa.
Antonela se assustou, sendo pega desprevenida e seu olhar imediatamente caiu sobre a foto dela ao lado de Benjamim. Com as mãos tremulas, já imaginando o que aquilo significava, ela segurou o papel amassado em mãos e não conseguiu acreditar no que lia.
— Realmente está do lado de quem ama – ele foi irônico e suas palavras golpeou-lhe o peito causando uma dor profunda – por esse motivo quer ficar na cidade? Para destruir de uma vez o casamento da sua irmã?
Antonela olhou para ele extremamente magoada.
— Precisa parar com essas ideais mirabolantes, pai – ela devolveu a ele o jornal amassado, fingindo não se importar com o que a matéria dizia – se acredita realmente que existe um risco desse casamento não acontecer, é porque conhece o Benjamim suficiente. Deveria tratar isso com ele.
— Então você confessa que está tendo um caso com o noivo da sua irmã? – a voz dele saiu alta o suficiente para chamar a atenção de todos os funcionários presentes.
Caminhou de volta a seu escritório ao lado de Henrico e foi surpreendido quando, em silêncio, ele lhe mostrou o jornal.
— Como um homem influente que você é, certamente já viu as notícias de hoje.
Benjamim abaixou o olhar e leu a matéria. Seu semblante permaneceu intacto, sem demonstrar nenhum sentimento quando em seguida ele lançou um olhar gélido até o sogro.
— Onde cogita chegar com isso? – largou o jornal sobre a mesa e enfiou as mãos no bolso, esperou que ele lhe respondesse.
— Sei que você se deitou com a minha filha ontem à noite – Henrico veio para o seu lado, com os olhos piscando de preocupação – e ela também confessou que, antes disso acontecer, você pediu para que ela perseguisse Antonela pela cidade, para descobrir que segredos ela escondia.
— O quê? – Benjamim franziu a testa em dúvida, as informações não se cruzavam – eu não pedi para que Alessia fizesse nada. Eu nem ao menos sabia que ela estava perseguindo a Antonela.
Henrico se agitou e seu rosto tornou-se branco. A verdade era que toda aquela situação estava drenando sua vitalidade e, se ele não resolvesse aquilo de uma vez por todas, sentia até mesmo que poderia perecer.
— Vim ordenar que se case com minha filha imediatamente – voltou para a cadeira com dificuldade e precisou se sentar – você está desonrando minha filha Benjamim e eu não vou mais admitir isso.

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