O pensamento apenas apareceu de leve na cabeça dela, e Beatriz logo o reprimiu.
Aquele olhar de Maurício virando a cabeça, com os cantos dos olhos levemente erguidos e cheios de uma brincadeira casual, era completamente diferente da maneira fria como Lorenzo a observava.
Ela respirou fundo e deu uns tapinhas no próprio rosto. No que você está pensando, Beatriz? O trabalho é o que importa agora.
Os dois entraram no salão do clube um atrás do outro. O encontro de negócios já tinha começado.
No palco, estava um professor de cabelos grisalhos, usando um apontador laser para destacar pontos na apresentação de slides. O tema era a metodologia central para a gestão de equipes de pesquisa.
As cadeiras da plateia estavam lotadas.
Beatriz encontrou um assento vazio na lateral e se sentou. O velho professor estava justo falando sobre um caso clássico de divisão de trabalho em equipe, e ela ouvia atentamente.
Maurício, sem que ela notasse, já havia chegado ao lado dela e perguntou baixinho: — Tirou alguma lição?
Beatriz olhou para ele, com uma seriedade rara nos olhos.
— É preciso liderar a equipe. Se alguém trabalhar sozinho, vai trabalhar até a morte. Essa foi a maior lição que tirei hoje.
Maurício acenou pensativamente, sentou-se no banco vazio ao lado e não falou mais.
Após o término da reunião, os organizadores providenciaram um momento de socialização livre.
A iluminação diminuiu alguns graus, e a música ambiente passou de um jazz alegre para uma valsa mais lenta.
As mesas grandes e redondas foram empurradas para os lados pelos garçons, e no centro do piso de mármore que havia ficado livre já havia alguns casais dançando elegantemente.
Maurício surgiu segurando duas taças de champanhe e estendeu uma para Beatriz: — Sabe dançar?
Ela acabou balançando a cabeça: — Sr. Maurício, melhor convidar outra pessoa, eu...
Antes que ela pudesse terminar a frase, Maurício já havia segurado a mão dela. A palma da mão dele era quente e seca. Ele aplicou um pouco de força nos dedos e a puxou da cadeira com um toque firme, que não admitia recusa, mas também não era desagradável, guiando-a até o centro da pista de dança.
Beatriz ficou surpresa: — Sr. Maurício!
Antes que pudesse reagir, foi levada por ele por vários passos até conseguir se firmar.
Maurício colocou a mão dela no ombro dele e com a outra mão segurou a cintura dela: — Apenas me siga.
A voz grave veio de cima, extremamente clara em meio à melodia da valsa: — Relaxe.
As palavras dele pareciam ter algum tipo de magia que, inexplicavelmente, a fez relaxar.

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