Beatriz percebeu em um instante; ela sabia muito bem quem eram os "superiores" deste hospital. Além de Otávio Neves, não existia uma segunda pessoa.
Ela abriu a boca e estava prestes a falar.
Maurício Drumond caminhou pelo corredor; aquele sorriso ainda pairava em seus lábios, mas a expressão nos seus olhos já havia ficado fria.
— Cancelam assim que querem, pelo visto o seu hospital não é tão profissional. Tratam os esforços dos outros como brincadeira de criança, mandam parar e param; é assim que o hospital da família Neves resolve as coisas?
Maurício virou a cabeça para Beatriz, soltando uma risada fria: — Vamos embora, sem pressa.
A testa de Beatriz, no entanto, se franziu ainda mais. Como não haveria pressa? O experimento já havia avançado para a segunda fase, cada etapa de coleta das amostras era diretamente ligada ao calendário dos testes clínicos a seguir.
Se fossem suspensos ali, a progressão do projeto inteiro seria letalmente afetada. Ela não podia deixar todo o esforço da equipe encalhar.
Ela ficou imóvel em seu lugar, passando pela cabeça as alternativas de forma rápida.
Foi então que o homem retomou a fala, num tom um pouco mais frouxo.
— Os superiores também disseram que a parceria pode seguir, mas com uma condição.
Ele deu uma pausa, e os seus olhos repousaram em Beatriz: — A liderança tem que ser trocada. Os superiores souberam que a Srta. Melissa Valente tem um talento muito excepcional, e querem que ela conduza esse projeto. O que vocês acham?
O rosto de Maurício escureceu no mesmo instante; aquele rosto que ostentava o sorriso cínico o ano inteiro no momento mostrava por completo os seus traços severos.
Ele ia abrir a boca quando Beatriz se esticou para puxá-lo e balançou a cabeça.
Beatriz inspirou fundo. Sabia bem em seu íntimo que aquilo tudo era obra de Melissa. O objetivo de Melissa era claríssimo; queria roubar os méritos do projeto e fazer Beatriz fracassar na segunda fase.
Mas de que adiantava saber? Este hospital era a única unidade parceira que se alinhava com o padrão de coleta em um raio de cem quilômetros.
Se precisasse trocar de hospital em cima da hora, só os trâmites de verificação de documentos e avaliação dos equipamentos gastariam duas semanas de prazo no mínimo.
O quarto ficou em silêncio por alguns segundos, logo um bocado de membros tomaram a palavra juntos.
Aquela pequena estagiária ficou tão nervosa que chorou, e a sua voz tremia: — Líder Beatriz, eles estão mesmo a forçando a ceder!
— Este projeto do início ao fim foi a senhora que conduziu, desde a montagem do esquema de experimento na primeira fase até a coleta na segunda fase agora. A senhora acompanhou cada passo com atenção. Agora diz que dá para trás, e pronto? O seu esforço não foi todo à toa?
— Pois é, Líder Beatriz, a senhora não pode ceder isso a eles desse jeito.
A outra integrante mulher também se adiantou, o seu tom de voz revelando o quão ansiosa e furiosa estava: — Está claro que isso é armação de Melissa. Se a senhora abdicar do projeto e deixá-lo nas mãos dos outros, ela não vai ficar mais ousada?
Beatriz ouviu as suas falas e apenas riu, voltou-se para encontrar o olhar de Maurício. Maurício juntou as sobrancelhas, mas não disse nada.
Ele respeitava as suas escolhas, mesmo se essas fossem escolhas que o desagradassem muito. Ele se virou para sair.
Beatriz retraiu o olhar, apalpou os ombros da garota: — Chega. Se o experimento ainda estiver aí, Melissa não se arrisca a fazer nada contra vocês. Ela não terá a ousadia de tocar no material central.

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