Isadora sorriu. — Fique tranquila, Beatriz, eu não sou tão idiota, claro que não vou sair. Eu já estou acostumada com isso. Sempre que volto, eles acabam fazendo um barulho. De qualquer forma, eu me escondo dentro do quarto; vou esperar que Felipe venha me buscar e só então irei embora.
Beatriz deu uma risada leve. — Você é bem esperta.
Isadora imediatamente respondeu com orgulho. — Claro que sim. Em uma família como a nossa, como é que eu iria sobreviver sem ser um pouco esperta? Para famílias do nosso tipo, a missão com que nascemos é para casamentos arranjados, para consolidar os interesses da família. Agora, eu até acho que aquela irmãzinha que morreu teve foi sorte.
Beatriz pôde sentir que o ânimo de Isadora estava bastante baixo, e momentaneamente não soube bem o que dizer; restou-lhe apenas continuar acompanhando a amiga em silêncio.
Pouco tempo depois, batidas na porta começaram a soar de repente, e Felipe gritava do lado de fora: — Esposa, vamos, já está na hora de irmos para casa.
Isadora imediatamente se sentou na cama. — Não vou mais conversar, tenho que ir embora. Nos vemos outro dia.
Isadora desligou o telefone.
Ao abrir a porta, a primeira coisa que notou foi um rastro de sangue no canto da boca de Felipe; o que devia ser, decerto, o resultado da confusão de agora há pouco.
Isadora franziu a testa. — Como você arrumou esse machucado na boca, tomou uma surra?
Felipe continuou mantendo aquele sorriso gentil no rosto. — Isso não é nada.
Isadora sorriu. — É verdade, você já se acostumou a apanhar. Esse machucadinho não é nada para você.
A expressão de Felipe ficou tensa. — Esposa, não pode ficar me desmoralizando assim! Não tem medo de que eu fique bravo?
Isadora, com um sorriso, afagou a cabeça dele como se estivesse acariciando a cabeça de um cachorro.

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