Beatriz se sentiu culpada e falou, sem graça: — Vim pegar o quadro.
Lorenzo a encarou. Sentou-se sem pressa e sua figura ficou alta.
Ele se levantou, foi para dentro e saiu depois, com um quadro enrolado. Deu para ela.
Beatriz pegou o quadro e o abriu. Ela hesitou.
Quase não havia marcas.
Os defeitos haviam sido cobertos por traços iguais. Se ela não soubesse como era antes, não diria que foi consertado.
— Isso... — Ela levantou a cabeça e seus olhos revelavam surpresa. — Ficou perfeito.
Lorenzo a encarou e encostou-se na cadeira para fechar os olhos de novo.
Beatriz olhou para o rosto dele, que era parecido com o de Maurício. Ela ainda estava surpresa.
Como podia haver dois rostos iguais?
Sobrancelhas, olhos, contorno e até o ar chique. Pareciam feitos no mesmo molde.
Mas ela tinha certeza de que eles não eram a mesma pessoa.
Maurício era maldoso, mas ao menos tinha um lado cortês. O homem à frente dela era frio e falava com grosseria.
Ela não sabia no que estava pensando e perguntou.
— Sr. Lorenzo, acredita que há duas pessoas muito iguais?
Lorenzo abriu os olhos e a encarou de modo frio. — O hospital fica a cinquenta metros à esquerda. Leve seus documentos.
O canto da boca de Beatriz se mexeu. Ele estava mesmo dizendo que ela era doente.
Ela não disse nada, enrolou o quadro e saiu.
Se Thiago o visse, não se sabia o que aconteceria...
Não. Ela tinha de buscá-lo quando ele estivesse fora.
Beatriz virou-se e foi para a casa de Thiago.
Ao mesmo tempo, Thiago saiu do tribunal e ia para o escritório de advocacia.
Ele se lembrou de que o material do caso de Melissa havia ficado em casa. Ele havia deixado o documento na gaveta do quarto principal. Mas não lembrava de qual.
Ele franziu a testa, virou o carro e foi para a casa.
O carro parou e ele subiu as escadas.
Ao abrir a porta do quarto principal, jogou o casaco no sofá e foi puxar a gaveta.

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