Dona Regina era a primeira orientadora daquele projeto na época, ela com certeza sabia de algo.
O carro parou na frente do pátio de Regina Silveira. Quando Beatriz Vaz abriu a porta e entrou, percebeu que o portão estava entreaberto e havia luz lá dentro.
Ela bateu na porta e ouviu a voz da orientadora:
— Já vou!
Regina veio abrir a porta. Ao ver Beatriz, sorriu.
— Está cansada?
Beatriz sorriu.
— Não, Dona Regina.
Ela tirou o casaco, pendurou-o no cabideiro e entrou. Parou de repente: Gabriel Vaz e Aurora estavam sentados no sofá.
Os dois estavam próximos, de cabeça baixa olhando os celulares. Uma pilha de salgadinhos e bebidas estava espalhada na mesa de centro.
Como eles vieram parar ali?
Ao ouvir o barulho da porta, Gabriel levantou a cabeça. Ao ver Beatriz na porta, abriu um sorriso largo.
— Bia! O que faz aqui? Nem avisou antes!
Beatriz trocou os sapatos pelas pantufas, foi até a sala e sentou-se na poltrona ao lado.
Sem esperar que ela perguntasse, Gabriel se explicou. Descobriu-se que os pais deles tinham ido para outra cidade no interior participar do casamento de um parente e não estavam em casa, então ele aproveitou para escapar com Aurora e ir à casa de Regina filar boia.
Regina saiu da cozinha com um prato de frutas recém-cortadas, colocou-o na mesa de centro e repreendeu Gabriel com um sorriso:
— Esse garoto fica à vontade rápido demais. Chegou e já foi direto para a cozinha. Tem o mesmo jeito dos alunos que eu orientava quando era jovem.
Beatriz olhou para Gabriel. Ele parecia bem hoje, com um pouco mais de cor no rosto, não mais tão pálido como antes.
Ela pegou um pedaço de maçã que Regina lhe entregou, deu uma mordida e pensou um pouco antes de falar:
— Dona Regina, vim hoje para perguntar uma coisa. A senhora se lembra do Experimento X, há seis anos?
A mão de Regina, que segurava o garfo, parou por uma fração de segundo. Foi essa mudança sutil que fez Beatriz perceber: a orientadora provavelmente sabia mesmo sobre o assunto.
Seis anos atrás, depois que Beatriz saiu do projeto às pressas para voltar à família, todo o Experimento X ficou sem líder e quase foi congelado.
Ao organizar a segunda avaliação, o responsável pelo projeto na época precisava de um líder acadêmico que pudesse assumir a frente. As condições eram claras: precisava ser um pesquisador do mesmo nível que Beatriz, com experiência relevante no experimento e um currículo acadêmico impressionante o suficiente.
E essa pessoa não existia naquele momento, porque Beatriz conduziu o experimento principal sozinha do início ao fim. Ninguém poderia substituí-la. Então, alguém optou pela falsificação.
— Quem eles procuraram? — A voz de Beatriz saiu baixa, mas seus dedos já agarravam o tecido do sofá.
Regina levantou os olhos, com um olhar pesado.
— Eles procuraram seus registros de colaboração da época no Instituto. Melissa Valente trabalhou no mesmo projeto que você na mesma época. Embora não fosse membro principal, o nome dela e o seu apareceram juntos em vários pedidos iniciais de experimento. Eles usaram isso como base e a promoveram como uma das codiretoras do Experimento X. Naquela inclusão de assinaturas, há três anos, o nome dela foi adicionado oficialmente. Eu e seu professor tentamos impedir, mas fomos impotentes, então saímos do experimento.
— Eu e seu professor não queríamos que você criasse vontade de se vingar, nem queríamos que fosse arrastada para isso. Pensamos que, quando você alcançasse novos resultados, a verdade apareceria naturalmente.
— Mas não esperávamos que a mesma coisa acontecesse de novo, ao mesmo tempo...
Beatriz recostou-se no sofá, chocada a ponto de não conseguir se recompor por muito tempo, as mãos fechadas em punhos.
Então era isso. Quando ela virou as costas, alguém entrou na casca vazia que ela deixou, colocando o nome de outra pessoa em todo o seu mérito e esforço. E essa pessoa era justamente Melissa Valente...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Fim da Ilusão: Grávida de Gêmeos de Outro Homem