Melissa Valente ficou parada no mesmo lugar. Vendo Beatriz Vaz entrar no táxi, quase mordeu o lábio até sangrar no momento em que a porta fechou.
Com que direito Beatriz ficava tão calma? Estando a ponto de ser escorraçada, ela ainda conseguia usar aquele olhar superior para encará-la e dizer aquelas palavras inofensivas? Que teimosia.
Na verdade, ela devia estar apenas fingindo calma por fora, enquanto por dentro ardia de ódio; só não tinha o que fazer além de engolir a amargura.
Ao pensar assim, Melissa sentiu-se um pouco melhor.
Ela olhou para a própria barriga. Não podia mais fingir. Se depois de alguns meses não houvesse mudanças, os olhos astutos da Família Monteiro certamente notariam algo.
Por mais que a Sra. Monteiro fosse boa com ela, aquilo era por causa do neto que estava na barriga.
Ela tinha que firmar o seu lugar e transformar a mentira em verdade o mais rápido possível.
Do outro lado, Beatriz voltou para o Grupo Drumond.
Ela parou de andar ao passar pelo escritório de Maurício Drumond. A porta continuava fechada e as cortinas puxadas.
Fazia dias que ela não o via na empresa. As mensagens enviadas não tiveram resposta e também não houve resposta de Lorenzo Zhou. Os dois pareciam ter desaparecido do mundo juntos, como se tivessem combinado.
Beatriz ficou no corredor vazio, olhando para a porta fechada, com a sensação de que algo ruim estava se formando nas sombras.
Ela suspirou e não pensou mais nisso, virando-se para o seu posto.
Aproveitando o horário de almoço, ela retirou do arquivo os registros originais do Experimento X de seis anos atrás e virou as páginas, uma por uma.
Ela sabia de cor cada dado escrito, desde o isolamento da cepa até o experimento com animais e a organização dos dados clínicos. Todas as anotações e assinaturas eram dela.
Ela não viu com os próprios olhos os documentos de inclusão das assinaturas de três anos atrás, mas a orientadora não a enganaria.
Ela decidiu que iria recuperar o direito das assinaturas. Aquilo era dela, e era impossível entregar a Melissa Valente de mão beijada.
No final do expediente, Thiago Monteiro ligou de novo.
Quando a tela acendeu, ela ficou olhando para o nome por dois segundos. Pensando que logo a certidão de divórcio estaria nas suas mãos, o tom de voz com o qual ela atendeu foi mais frio que o normal:
— O que foi?


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