Beatriz sentiu um arrepio e apressou-se para negar com a cabeça.
— Não, Sr. Drumond. Não quis dizer isso.
Maurício levantou a sobrancelha. — Então vá escolher.
Beatriz foi forçada a continuar em frente.
Ela caminhou pelas fileiras de vestidos, com o olhar passando pelas roupas. Qualquer vestido daquela seção passava dos cem mil, causando muita pressão e desordem na sua mente.
Era melhor escolher um de uma vez e se livrar daquela situação.
Ela escolheu um vestido longo verde aleatoriamente, entrou no provador e assim que tirou a sua roupa, uma voz familiar entrou pelo ouvido, paralisando-a de vez.
Era uma voz muito familiar para ela.
Tão familiar que perfurou o tímpano e foi parar no coração num instante dentro de uma loja calma como aquela.
A voz mansa de Thiago soou. — Melissa, ajudei a investir em uma loja de roupas.
As mãos de Beatriz se contraíram para agarrar o tecido do vestido.
A voz continuou do provador do lado e estava tão clara que parecia muito próxima.
— Sei que seu sonho era abrir uma loja de roupas própria, mas ainda não tenho condição para isso. Escolhi te ajudar a investir numa loja.
— Esse é o contrato, pode assinar. E não deixe a Beatriz ver isso. Tenho medo que ela crie algum problema.
Beatriz prendeu a respiração bruscamente.
Foi como se o seu coração fosse espremido por mãos invisíveis, com tanta força que ela mal pôde se segurar de pé.
Então outra voz soou.
Era a voz leve de Melissa, carregada de emoção.
— Thiago, como eu poderia aceitar? Você nunca deu nada tão caro assim à Beatriz. Como poderia me dar isso...
Thiago deu uma risada. — Beatriz não gosta desse tipo de coisa e também não saberia fazer direito. Mas acredito que você conseguirá, porque esse é seu sonho de infância. É para o que você tem se esforçado até hoje.
Beatriz ficou parada como se estivesse colada ao ouvir aquilo.
Lembrou de contar para Thiago que tinha o sonho de abrir uma cafeteria ou uma floricultura, e ele respondera que não era realista e dava muito trabalho. Nunca mais tinha falado sobre aquilo.
Ela se lembrou de ler uma revista de moda na frente dele. Ele falou que essa prática só tirava dinheiro. Assistir e admirar já estava ótimo.
Ela achava que ele era só um homem prático, mas na verdade não estava disposto a investir dinheiro nela.
O sonho de Melissa era um sonho que importava, o seu sonho não era realista.
No lado de lá, surgiu a voz comovida de Melissa. — Muito obrigada, Thiago.
Beatriz abriu a boca e formou uma voz rouca.
— Sinto muito, Sr. Drumond. Esse vestido não coube.
Sem dizer nada, Maurício olhou para baixo.
Agora, o rosto de Beatriz passava uma fragilidade acompanhada de uma angústia. Estava levantado na direção de Maurício.
Os olhos tinham um tom avermelhado, uma gotícula estava pendurada nos cílios, mas ela teimou e não a deixou cair.
Os olhos de Maurício piscaram com frieza. Passavam um pensamento intenso, mas não era compreensível.
E logo ele agachou-se em frente dela, passando o dedo pelo queixo e uma pressão envolveu completamente Beatriz.
Sem retirar o olhar dos olhos dela, a sua voz revelou-se assustadora, devagar e precisa:
— Beatriz.
— Agora você é minha.
Ele roçou o dedo na bochecha, de maneira bem possessiva. — Não dê tanta importância a quem não merece.
Beatriz congelou.
E o observou em retorno, não havia sorriso naqueles olhos tão próximos.

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