Beatriz franziu a testa. — Você não tentou impedir?
Gabriel também estava chateado. — Como eu não ia impedir? Eu até já estava preparado para ir sozinho. Mas a Aurora concordou. Ela disse que aceita ir comigo, desde que a doação para o orfanato não pare. E se parar, ela para de ajudar na mesma hora.
Beatriz não conseguia acreditar no que a mãe tinha feito. Pelo visto, não a conhecia bem o suficiente para saber que ela usaria a fraqueza de alguém como ameaça.
— Traga a Aurora aqui agora mesmo. Preciso falar com ela.
Gabriel se surpreendeu. — Sobre o que você quer falar com ela?
Beatriz perdeu a paciência. — Eu disse que preciso falar com ela. Traga a Aurora agora. Nos vemos no café aqui embaixo.
Ela desligou sem esperar a resposta.
Gabriel encarou a tela do celular e ficou pensativo. Naquele momento, Aurora entrou trazendo várias sacolas de salgadinhos.
— Gabriel! Vem ver o que eu comprei!
Ela levantou as sacolas e as jogou no sofá. Bateu as palmas das mãos.
— Vamos viajar amanhã. É melhor levar o máximo de salgadinhos e doces daqui que conseguirmos. Eu já ouvi falar da comida de lá.
Ela estalou a língua com uma expressão de desgosto e balançou a cabeça.
— Nem cachorro come.
Gabriel, com um rosto sério, chamou-a com a mão: — Vem cá.
Aurora se aproximou sorrindo. — O que foi? Por que tão sério? A sua mãe pediu alguma coisa? Ela não vai voltar atrás, vai?
Aos poucos, parou de pensar em procurá-los.
Aurora virou a cabeça e voltou a sorrir. — Então vamos lá. Se descobrirmos algo, ótimo. Se não, não tem problema. Eu não estou obcecada por isso.
Vendo que ela realmente não parecia se importar muito, Gabriel respondeu: — Tudo bem. Vamos.
Beatriz havia acabado de organizar os dados do experimento quando o telefone tocou. Era Gabriel.
— Bia, já estamos aqui embaixo. Quando você vai descer?
Beatriz encerrou: — Me esperem. Estou descendo.
Beatriz trancou os documentos no armário e desceu.

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