Maurício voltou para casa. A sala estava vazia. Ao subir e ir para o quarto, ouviu uma conversa no escritório.
Ele não tinha o costume de escutar conversas. Mas não sabia por que, parou e foi até o escritório, encostando-se na parede.
Era a voz de Augusto, conversando com Felipe.
— Ele achou a Alana. Pai, por que você não faz nada? Ela é menina, mas é irmã dele, faz parte da família. Vai ameaçar a mim e a minha mãe! Tome uma atitude!
Maurício franziu a testa ao ouvir aquilo. Como Felipe sabia? Será que o sumiço da irmã tinha algo a ver com eles?
Ele continuou escutando. Augusto suspirou e falou: — Eu também errei. Perdi a cabeça e abandononei a Alana. Saber que ela sofreu tanto lá fora... Como pai, como não me comoveria?
As pupilas de Maurício contraíram ao escutar aquilo.
O quê?
Alana não tinha sido abandonada por Cecília, e sim por Augusto!
Ele cerrou os punhos com força. Queria invadir e dar um soco no rosto dele. Era a filha biológica dele, como teve coragem?
Felipe não entendeu: — Pai, do que está falando? Se a Cecília não tivesse feito de tudo para ter a criança escondido, você nunca faria isso. Foi erro dela, não seu. Você só queria que eu e minha mãe entrássemos logo para a família. Ainda bem que, depois, usamos todos os meios para colocar aquela mulher na clínica de repouso, fazendo os outros acharem que ela é louca.

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