Enquanto ela pensava, o canto do seu olho viu algo deitado nos arbustos ao lado.
Seus passos pararam e seu coração saltou.
Ela deu alguns passos lentos e hesitantes. Com a luz do poste, viu uma pessoa encolhida perto do arbusto, imóvel, parecendo gravemente ferida e à beira da morte.
O coração de Beatriz acelerou. Ela ligou a lanterna do celular e se aproximou devagar.
A luz iluminou o rosto do homem. Traços fundos, testa alta e lábios finos apertados. Ela franziu as sobrancelhas e soltou:
— Sr. Drumond?
O homem abriu lentamente os olhos. Eram olhos frios como gelo, sem nenhuma temperatura, que olharam diretamente para ela.
Beatriz ficou atônita com aquele olhar e logo percebeu.
Não era Maurício, era Lorenzo Zhou.
Como poderiam existir duas pessoas tão parecidas no mundo? Ela suspirou mentalmente e se agachou para olhá-lo.
— Senhor Zhou? O que o senhor está fazendo aqui?
Lorenzo não disse nada. Olhou para ela com frieza, o rosto pálido e assustador, os lábios quase sem cor, a testa cheia de gotas finas de suor.
Beatriz franziu a testa e sentiu cheiro de sangue: — Você está ferido?
Lorenzo continuou sem falar.
O olhar de Beatriz caiu sobre ele, e só então ela notou uma grande mancha escura no lado esquerdo da camisa. O coração dela afundou.
— Consegue levantar? Quer que eu chame uma ambulância?
Lorenzo abriu a boca lentamente, a voz fria: — Não.
Ele se apoiou para tentar levantar, mas assim que o braço ergueu, balançou e o corpo caiu pesadamente para trás.
— Senhor Zhou. — A voz de Beatriz estava impotente. — Mesmo que o senhor tenha restaurado minha pintura, nós não temos uma relação tão profunda.
Lorenzo não disse nada, olhando-a friamente.
Os dois se encararam daquele jeito. Sob a luz da rua, os olhos dele eram poços de água parada, repelindo as pessoas para longe.
Mas, observando bem, Beatriz acabou vendo uma emoção quase de súplica nos olhos dele.
Ela suspirou, sem escolha: — Vamos.
Pelo fato de ele ter restaurado a pintura do mestre dela, ela concordou, achando que Dona Regina não iria recusar.
Ela o ajudou a andar passo a passo para dentro do prédio. Lorenzo seguiu o ritmo dela em silêncio. A respiração pesada caiu no ouvido dela, trazendo uma dor contida.
Chegando à porta, Beatriz liberou uma mão para bater. Quando Regina abriu e viu a cena, o rosto dela mudou instantaneamente.

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