Beatriz saiu do escritório e, fechando o casaco, caminhou em direção ao shopping.
O aniversário de Dona Regina estava perto. Ela queria comprar um presente.
O shopping ainda estava aberto. Ela parou em frente a uma joalheria. Gostou de um par de brincos e, enquanto pagava, notou uma figura pelo canto do olho. Os dedos dela pararam e, por instinto, ela quis desviar o caminho.
— Irmã! — A voz era tão animada como se tivesse descoberto um mundo novo. — Você está mesmo aqui! Estava te procurando faz tempo!
Beatriz suspirou e virou-se.
Gabriel Vaz usava um terno espalhafatoso e os cabelos cheios de gel brilhavam. Parou sorrindo diante dela. Beatriz o olhou sem emoção. — O que você quer?
— Não posso te procurar sem motivo? Você é minha irmã, preciso de razão? — Gabriel se aproximou rindo. — Irmã, estou bonito ou não?
Beatriz deu um passo para trás e manteve a distância. — Se não tem nada a dizer, não me procure. Não tenho tempo para limpar a sua bagunça.
Gabriel coçou a cabeça, um pouco sem graça. — Aquilo lá os pais já resolveram. Fui burro. Nunca imaginei que aquele imbecil iria armar para mim.
Ele olhou para ela, parecendo querer agradar. — Irmã, faz tempo que você não vai em casa. Senti a sua falta.
Beatriz o observou. Uma mistura de sentimentos subiu à mente.
O irmão a tinha colocado em todo tipo de confusão desde pequenos. Ela teve raiva dele, de como ele tinha roubado toda a atenção e amor dos pais.
Mas ele também dividia as coisas boas em segredo, entrava em brigas quando ela sofria bullying e inventava mil jeitos de fazê-la rir quando estava triste. A raiva era real, mas não era como se não houvesse afeto.


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