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O garoto de programa era o meu marido CEO romance Capítulo 1

POV Romeo Salvatore

Rijonia se remexia de propósito no meu colo, tentando me deixar excitado.

— Eu não tenho certeza se o vestido que escolhi é realmente o melhor — disse — Não queria deixar o colo muito à mostra. E aquela estilista que contratei já não é mais considerada promissora.

Ela envolveu meu pescoço:

— Você está me ouvindo, Romeo?

Eu estava. Só não me importava com o vestido. Sabia que minha noiva tinha bom gosto e se dedicava àquele casamento havia quase um ano. Não existia chance de algo sair diferente do que ela idealizou.

— Amor? — beijou meu pescoço.

Antes que pudesse me marcar com um chupão, reagi:

— Não — afastei seu rosto. — Amanhã vou assinar o divórcio. Não quero aparecer com marcas no pescoço.

Ela arregalou os olhos antes de gargalhar:

— Está com medo do que sua esposa invisível vai pensar?

— Claro que não! Só não quero estar marcado no evento de oficialização do meu nome como o acionista majoritário da Obsidian. Certamente não vou cruzar com essa mulher, que se vendeu. Jamais irei conhecê-la. A única coisa que sinto por ela é desprezo.

A Obsidian, empresa da minha família, era a maior agência de gerenciamento de imagem pública do país. Quando meu avô morreu, a principal cláusula do testamento determinava que eu deveria ficar casado, por três anos, com a mulher que ele escolheu, alguém cuja identidade eu nunca precisaria saber. Assim que passasse o prazo, poderia, enfim, me divorciar.

Alguém que aceitava um acordo desses, casando-se com um desconhecido sem saber com quem estava assinando a própria vida, só podia ser uma coisa: uma pessoa sem caráter, desesperada por dinheiro, status ou qualquer vantagem que pudesse tirar da situação.

O meu caso era diferente. Não tive escolha. Aquele contrato era a única condição para assumir o comando da empresa da minha família; uma empresa que já era minha por direito, independentemente do testamento.

Sempre achei que ele fez aquilo para me impedir de casar com Rijonia, o que não fazia sentido, considerando que ela vinha de uma família do mesmo nível social que eu. E, principalmente, era a mulher que escolhi para compartilhar minha vida. Como ele estava morto, eu jamais teria essa resposta.

— Melhor seria se vocês nem se encontrassem na assinatura do divórcio — minha mãe entrou na sala. — Tenho medo de essa parasita interesseira não se contentar com o dinheiro e exigir mais.

A presença da minha mãe, independentemente do ambiente, impunha respeito. Era refinada, altiva e carregava um sobrenome que a precedia.

— Tem um contrato, mãe. Essa mulher não tem como exigir nada.

Rijonia levantou do meu colo e apontou para as revistas sobre a mesa:

— Elisa, estou escolhendo outro vestido de noiva.

— E o que houve com o primeiro?

— Não quero mais. Enjoei antes de usar. Decidi optar por uma estilista renomada.

Definitivamente, Rijonia tinha mudado muito. Havia momentos em que eu não encontrava traço algum daquela menina que arriscou a própria vida para me salvar. Ao mesmo tempo, entendia: sempre foi a princesa da família Deschamps e, por isso, um pouco mimada. Ela não sabia ser de outro jeito.

— Faz bem, querida. Não dá para confiar nesses novatos que querem crescer às custas de gente como nós. — minha mãe concordou com ela. — Precisa se envolver mais nos preparativos, Romeo. Rijonia está triste com a forma como tem tratado esse casamento, como se fosse um mero evento social. — criticou.

E não era?

— Estou prestes a me divorciar de uma mulher que nunca vi e assumir uma das maiores empresas do país. É só isso que ocupa minha mente no momento.

— Você já é o CEO, amor — Rijonia argumentou. — Teoricamente, pouca coisa muda.

Respirei fundo. Não adiantava explicar. Rijonia mal sabia o que significava trabalho. Mais de uma vez questionou por que eu precisava sair todos os dias para ir à empresa.

Eu ainda não tinha o controle real da Obsidian. Embora todos soubessem que ela era minha por direito, meu avô garantiu que eu só assumiria o comando quando cada exigência do testamento fosse cumprida.

Até lá, meu poder era limitado. Meu sobrenome abria portas, minha posição impunha respeito, mas a palavra final nunca era minha.

Enquanto eu vivia preso àquela humilhação burocrática, o resto do mundo não sabia que eu já era casado. Para todos, Rijonia era minha noiva. A mulher que eu amava. Aquela com quem me casaria em um mês.

O que ninguém sabia era que, antes disso, eu precisava sobreviver ao fim daquela farsa de três anos, conseguir o divórcio e arrancar das mãos de um morto o controle do que sempre foi meu.

Minha mãe comentou algo sobre os lustres da casa, o que bastou para Rijonia cogitar trocá-los outra vez.

Para mim, tanto fazia o vestido, o bolo ou os lustres. Eu só me importava com o casamento e a casa nova.

Separadas, elas já eram complicadas. Juntas, imbatíveis no quesito convencimento.

Se eu tivesse que defini-las com um pecado capital, seria soberba. Rijonia ainda vinha com um bônus: preguiça. Ainda assim, eu me apegava ao altruísmo dela no passado.

— Vou encontrar André e Seo-Jun hoje — avisei.

— Despedida de solteiro? — Rijonia arqueou a sobrancelha.

— Algo do tipo.

Ela sorriu, segura:

— Não faça nada que comprometa a imagem do meu futuro marido exemplar.

Nem esperou resposta e voltou a atenção para a minha mãe, voltando aos preparativos finais do casamento.

Rijonia sempre ocupava espaço sem esforço. Às vezes, me sentia sufocado. Ainda assim, funcionávamos bem. Tínhamos um relacionamento estável.

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