NARRAÇÃO DE BRADY DAWSON...
Eu precisava me ocupar. Foram longos meses fingindo que eu não existia...
Se eu fizer algo bom, será apenas uma distração. Uma distração necessária. E farei isso por um único motivo: por causa de uma criança. Ela carrega uma pureza que o mundo já não conhece, um sorriso singelo que ilumina até os dias mais cinzentos. Julie.
Olhei para aquele coelho de pelúcia. Estava velho, desgastado, precisando de uma repaginada — assim como eu. Mas, diferente de mim, ele teria prioridade. Afinal, Julie precisa dele. Ele é o seu norte nas noites vazias. A mãe dela me disse que ela não tem pai, apenas a mãe.
Mandei que limpassem e restaurassem o coelho imediatamente. Enquanto o trabalho era feito, tentei me perder nos afazeres, mas o celular vibrou. Era o número do meu irmão mais novo. Ignorei. A mágoa que carrego dele é um peso que não sei soltar.
Quando matei os dois na cama, ele me atacou. Para ele, Josh — meu suposto amigo — deveria ter sido poupado. Mas eu não me arrependo. Lembro-me perfeitamente do sorriso dele, do modo como segurava o quadril dela... Josh nunca foi amigo. E meu irmão, por tê-lo defendido, perdeu o direito de ser parte da minha vida. Talvez agora me ligue porque descobriu que finalmente saí da mansão. Rejeitei a ligação e, em seguida, enviei uma mensagem ao meu pai pedindo o contato e endereço da empregada, Sara.
O coelho ficou pronto. Estava impecável, se não fosse por uma mancha quase imperceptível de chiclete, juraria que era novo. Sorri satisfeito.
O consigliere entrou no escritório, trazendo o coelho nas mãos.
— Não me lembro de ver você sorrindo. — disse, quase surpreso.
Seu elogio me fez desmanchar o sorriso.
— Só quero ver a menina feliz.
Saí sem esperar reação.
No carro, o endereço em mãos, dirigi ansioso. O bairro onde elas moravam era simples, inferior ao que estou acostumado, mas havia vida ali. A casa era pequena, mas bem cuidada, com grama verde e um balanço no quintal. Um lar.
Liguei para Sara. Minutos depois, as duas apareceram, agasalhadas contra o vento. Julie me viu e, ao reconhecer o coelho, agitou-se, quase se sacudindo no colo da mãe. Sorri, abaixando-me quando ela correu até mim.
O abraço dela... quente, acolhedor, mesmo no frio. Tão pequena, mas capaz de aquecer o vazio que carrego.
Julie agarrou o coelho, comemorando e mostrando para a mãe.
— Obrigada. — disse Sara, tentando sorrir, mas notei seus olhos vermelhos. Tinha chorado.
— E sua mãe? — perguntei.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Mafioso arrogante e a mãe solteira