Alice entrou no banheiro sentindo-se magoada e injustiçada. Era tão difícil suportar a presença de Zaid ali sem poder tocá-lo. Ele era alguém de quem ela simplesmente não conseguia se afastar. Havia algo nele, um certo poder sobre seus sentimentos e até sobre seu próprio corpo, que ela nunca saberia explicar.
Passara tanto tempo tentando esquecê-lo e seguir em frente, mas agora ele havia reaparecido e bagunçado tudo novamente. Alice se sentia completamente perdida.
— Alice! — chamou Olivia, antes que ela entrasse no banheiro.
Alice entrou sem sequer ouvi-la. Parou diante do espelho e se encarou, xingando a si mesma e se sentindo uma idiota por ter cedido. Agora, provavelmente, Zaid estava rindo dela. Talvez pensasse que poderia tê-la quando quisesse, que ela era fácil e que bastava forçar um beijo para que se entregasse novamente.
— Ali? — chamou Olivia outra vez.
Ela entrou no banheiro e encontrou a amiga diante do espelho, com os olhos vermelhos.
— O que aconteceu? — perguntou Fernando, preocupado.
— Meninas... — disse Alice, começando a chorar. — Eu sou uma burra! O Zaid está lá em cima, na área VIP. Acreditam que eu deixei ele me beijar? E, quando as coisas esquentaram, ele simplesmente me afastou. Que idiota! Ele só estava me testando. Alguém como ele nunca se apaixonaria por mim.
— Calma. Eu não estou entendendo nada — disse Olivia. — Ele apareceu, beijou você e depois se afastou? Mas ele falou mais alguma coisa? Riu de você?
— Não. Eu chamei ele de idiota e saí correndo. Agora ele deve estar lá em cima rindo de mim — respondeu Alice, enxugando as lágrimas.
As meninas se entreolharam, preocupadas com a amiga. Alice ainda parecia muito confusa sobre o que havia acontecido.
— Não acredito que você nem esperou ele falar! — disse Olivia, balançando a cabeça. — Alice, quantos anos você tem, amiga?
— Por que diz isso? — perguntou Alice.
— Porque você ficou brava com ele só porque ele parou. Talvez o que vocês estavam prestes a fazer ali não fosse certo, não acha, amiga? Você se esqueceu de que ele é árabe? Os costumes são totalmente diferentes dos nossos. E você também se entregaria daquele jeito, ali, em uma balada?
Alice olhou para a amiga, nervosa e se sentindo uma idiota. Talvez realmente tivesse entendido tudo errado. Mas ela havia aberto a camisa dele e, logo depois, Zaid se afastara. Naquele momento, ela sentiu que ele não havia gostado daquela atitude e que era justamente por isso que tinha recuado.
— Ah, não sei... Mas ele também passou dos limites. E nós não temos mais nada. Talvez seja melhor mesmo mantermos distância. Vou embora. Não quero encontrá-lo por aqui. Nem sei como vou reagir se isso acontecer.
— Alice... — disse Fernando, claramente não concordando com a decisão dela. — Você não deveria ir embora por causa disso. Deveria enfrentar a situação, sentar e conversar com ele. Vocês precisam se entender. Ficar fugindo não vai ajudar em nada.
— Já me decidi. Vou embora.
Nesse momento, o telefone de Alice começou a tocar.
— Ali, atende — pediu Olivia, olhando para a tela.
— Não vou atender. Não tenho nada para falar com ele.
— Como você é cabeça-dura! — reclamou Fernanda, irritada com a amiga.
— Não adianta, Fernanda. Deixa ela — disse Olivia. — Deixa aquele deus encontrar alguém por aí. Ele já está sozinho há muito tempo. Se você não se resolver com ele e continuar deixando-o livre, depois pode se arrepender.
— Olivia, você está do meu lado ou do lado dele? — perguntou Alice, intrigada.
— Do seu, é claro, amiga. Mas pensa bem: o homem veio do outro lado do mundo. Ninguém sabia que ele estaria aqui. E você simplesmente foge dele.
— Como sabe que ele veio só para me ver? Ele poderia ter vindo a trabalho. Eu só não quero me entregar de novo. Ainda não me recuperei, e ele aparece e mexe comigo desse jeito.

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