Nicolas, contudo, teve reflexo imediato e puxou Jéssica para o lado.
A xícara cortou o vento e atingiu o chão, fazendo um ruído de cerâmica estilhaçada.
Nicolas observou o objeto partido, e depois Jéssica protegida em seu braço, soltando a respiração aliviado.
Nisso, a cadeira de rodas da idosa já alcançara a frente deles.
A senhora despejou insultos: — Você deixou a Roberta nesse estado. Como se atreve, sua desgraçada, a pegar a Roberta para maltratar, é porque não me respeita, é um absurdo.
Gritava com tanta fúria que mal conseguia articular as palavras.
Embora houvesse um fluxo constante de pacientes e médicos no recinto, ninguém interferiu. Qualquer um percebia que o escudo humano de guarda-costas ao redor da velha não era brincadeira.
A bengala dourada da idosa até fez o movimento para agredir Jéssica, mas Nicolas a interrompeu segurando-a, dizendo: — Senhora, os fatos não são como imagina.
A idosa fitou Nicolas com fúria, deu um resmungo e virou o rosto para o outro lado.
Jéssica reforçou: — Dona Irene Valente, o ferimento de Roberta realmente não é culpa minha. Pelo contrário, eu vim com o Nicolas exatamente por me importar com ela.
Lucas voltou do quarto nesse instante. Uma enfermeira tivera de dar algumas instruções, por isso ele precisara entrar.
O quarto ficava um andar acima. Ele ouvira as enfermeiras comentando que uma idosa queria bater em alguém e logo viera ver. Assim que esbarrou em Jéssica dizendo que só tinha vindo visitar Roberta com Nicolas.
A sensação de derrota melhorou num instante. Jéssica não mentira, não acontecera nada concreto entre ela e Nicolas.
E Lucas também não queria que a Dona Irene arranjasse problemas para Jéssica.



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