Aquela autoconfiança inflada esmagou qualquer traço de premonição ruim.
Ele estendeu a mão para pegar a comida, com um tom alegre saindo da boca: — Valeu, e...
Ele nem terminou a frase, e o outro soltou a mão.
Não foi uma entrega normal, não foi ele quem deixou escapar. O cara soltou a mão de propósito, antecipada e deliberadamente, no momento em que seus dedos tocaram a borda da sacola.
A sacola despencou em queda livre e um estrondo abafado de algo quebrando veio do chão, aos pés dele.
A sacola plástica se chocou com o chão, a tampa do pote voou, e o creme de ovos quente esparramou-se em pedaços.
O líquido amarelo misturado com o que pareciam cascas quebradas espirrou por todo o chão. O líquido escorreu pelas frestas do piso, sujando a borda dos seus chinelos.
Eduardo abaixou a cabeça, olhou para a bagunça no chão e ficou paralisado por dois segundos.
Dois segundos depois, uma fúria subiu da sola do pé até o topo da cabeça, queimando suas têmporas.
Ele tinha acabado de ganhar quatrocentos mil seguidores hoje revelando coisas sobre Jéssica. Logo seria um homem superior, quem era ele, Eduardo?
Logo estaria fazendo transmissões ao vivo, fechando negócios, morando numa casa grande, dirigindo carros de luxo e ainda tinha a herdeira rica lhe apoiando.
Um entregador ousava fazer desfeita na cara dele?
Ousava jogar as coisas dele no chão?
Ele não conseguia engolir aquilo.


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