Ele quase podia prever a vida de Aelita daqui para a frente.
Moraria num apartamento alugado e apertado, preocupada com as contas do mercado, espremida em ônibus e metrôs, desarrumada e exausta. Não poderia comprar os vestidos que gostava nem usar seus cosméticos importados.
Não levaria um ano. Talvez nem seis meses. Aelita sofreria o suficiente para cair em si e voltar chorando para ele.
— Aelita, eu vou esperar — murmurou Octávio. Entrou no apartamento, foi até o bar e serviu-se de um uísque, rindo de si mesmo. — Você nunca tomou chuva na vida, nunca passou necessidade. Não vai entender o quanto eu era bom para você até perder tudo.
Octávio pegou o celular e ligou para seu assistente.
— Bloqueie todos os cartões de crédito em nome da Aelita!
— Diretor Guedes... tem certeza? — confirmou o assistente do outro lado.
Octávio sorriu friamente.
— Faça o que eu mandei.
Após desligar, ocorreu-lhe outra ideia e discou para o futuro sogro, Marcelo.
— Alô! Octávio? Encontrou a Aelita? — A voz de Marcelo soou do outro lado.
— Sr. Marcelo, preciso que o senhor mantenha a calma com o que vou dizer agora — disse Octávio, friamente.
— O que houve? Ela está fazendo birra de novo?
— Não é birra... Aelita foi ao cartório e se casou com o homem que a salvou ontem à noite.


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