Um impulso forte tomou conta dela. Sem hesitar, Aelita estendeu a mão e segurou o antebraço firme dele.
Lázaro ia voltar a apertar o parafuso, mas parou e ergueu os olhos, surpreso.
Aelita sustentou o olhar dele, límpida e decidida.
— Lázaro, não se preocupe. Já que me casei com você, nada do que os outros digam vai mudar isso. Aqui é minha casa. Para a vida toda.
O que significava: ele era seu marido, para a vida toda.
Lázaro a observou, a surpresa nos olhos transformando-se num sorriso contido.
— Tem certeza?
Sob aquele olhar penetrante, o rosto de Aelita corou.
— A menos que... você não me queira mais. Caso contrário, ficarei ao seu lado.
E baixou a cabeça, tímida, completando:
— A vida toda.
Lázaro largou a ferramenta e cobriu a mão dela com a sua. Não disse muito, apenas concordou com sua voz grave:
— Combinado.
Sentir a palma quente dele na sua pele fez o coração de Aelita disparar, tingindo seu rosto de vermelho. A coragem de instantes atrás dera lugar à timidez.
Lázaro, percebendo o constrangimento, soltou a mão dela no momento certo.
O coração de Aelita continuava descompassado. Estava surpresa consigo mesma. Seria a novidade?
Octávio nunca lhe causara tal palpitação.
E Lázaro, apenas segurando sua mão, a deixava assim...
— Eu... vou terminar o leite. — Ela levantou-se e fugiu para a mesa de jantar.

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