Capítulo 10
A tia esperou a porta do quarto se fechar por completo antes de se aproximar da cama. Com um falso carinho no olhar, passou a mão pelos cabelos da sobrinha.
— Cuidado com o que vai dizer, querida. Apenas se case e faça ele se apaixonar por você. Se me denunciar… nunca mais verá seu filho. Em um ano eu te devolvo a criança. Nesse tempo, você terá tempo o suficiente para conversar com seu marido sobre esse bebê indesejado.
Sentiu o sangue gelar nas veias. Olhou para a tia, incrédula, com os olhos marejados. As palavras cruéis ainda ecoando em sua mente: bebê indesejado. A raiva se misturou ao medo que a dominava. Como ela podia ser tão fria? Tão calculista? A vontade que tinha era de gritar.
Minutos depois, os avós do noivo e a tia deixaram o hospital na limusine, voltando à mansão, enquanto Ethan permaneceu ao lado da noiva.
Isadora observava cada gesto dele. O celular em suas mãos não parava de vibrar, o que o deixava ainda mais tenso. Mesmo assim, ele se esforçava para tratá-la com gentileza e isso era um alívio.
Ela só esperava que aquela doçura não fosse passageira. Já ouvira histórias demais sobre maridos que, com o tempo, perdem o interesse, tornam-se frios, distantes… infiéis.
Mas, na verdade, nada disso parecia importar naquele momento.
Ela suspirou, sentindo o coração apertar no peito. Virou o rosto para o lado oposto do noivo.
Virou-se devagar na cama, buscando abrigo no travesseiro e na escuridão por trás das pálpebras. Tudo estava um caos, mas o sono era sua única fuga, ainda que breve.
Seu último pensamento antes de adormecer foi um sussurro silencioso no coração:
Onde estará o homem que me tirou o fôlego? Que me tocou com tanta intensidade, que mesmo meses depois ainda vive nos meus sonhos?
Será que ele pensa em mim… como eu penso nele?
E então, ela conseguiu dormir, um sono triste e cheio de saudade.
***
Alexander estava diante da janela do escritório, o copo de whisky entre os dedos, era o quarto… ou talvez o quinto. Já havia perdido a noção do quanto havia bebido. Apenas sabia que precisava daquela sensação ardente descendo pela garganta, queimando cada centímetro de angústia em sua alma.
— Merda... — murmurou, contrariado, fechando os olhos por um segundo.
A porta se abriu, mas ele não se virou. Permaneceu ali, observando a lua que iluminava a escuridão lá fora, tão distante quanto os sentimentos que tentava reprimir.
O som de um pigarro o fez perceber quem era. A voz firme e familiar veio logo em seguida.
— Sua mãe me mandou aqui. Ela acha que você tem... algum problema. E então, tem?
Alexander não respondeu. Apenas soltou um suspiro tenso, longo.
— Às vezes, você é um homem difícil de lidar, Alexander. Sou seu pai, poderia confiar em mim. Já vivi muita coisa. Se algo está te consumindo... posso tentar ajudar.
Sem olhar para ele, Alexander virou o copo, engolindo o whisky de uma vez só. Sentiu queimar até a alma, como se punisse a si mesmo.
— Já faz quase um ano que você anda assim... amargurado.
A confirmação lhe doeu. Então o pai percebeu? Não... deve ter sido a mãe a comentar. Ela sempre percebe tudo.
— Estou bem, pai. — disse, tentando soar tranquilo, mas falhou na tentativa.
O pai suspirou, abatido.



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