Capitulo 11
Aurora observava o filho com atenção, quando pediu com gentileza:
— Sirva-me uma taça de vinho, querido.
Alexander assentiu em silêncio, pegou a garrafa e começou a abri-la. O som do saca-rolhas preencheu o breve silêncio entre eles. Enquanto ele se concentrava no gesto, Aurora aproveitou para mudar de assunto, perguntando de forma casual:
— O que aconteceu no restaurante?
Alexander parou por um instante. Sua expressão endureceu, mas ele tentou manter o controle.
— A jovem saiu correndo... e acabou sendo atropelada. — disse, de forma breve.
Aurora franziu a testa. A explicação parecia vaga demais para o impacto que aquela cena havia causado.
— Ethan ligou. Disse que ela está bem. — comentou, aguardando mais explicações do filho.
Alexander apenas assentiu, entregando a taça à mãe.
— Não gostou da noiva do seu filho? — insistiu Aurora, com o olhar fixo nele. Havia algo no comportamento de Alexander que não batia. Como se ele evitasse, a qualquer custo, tocar no assunto.
Ele respirou fundo antes de responder:
— Não a conheço. Nem chegamos a ser apresentados. Mas... acredito que o importante é Ethan gostar dela. — sua voz saiu firme, mas algo em seu tom não convencia a mãe.
Ela tomou um gole do vinho, saboreando o silêncio por um instante antes de soltar:
— Talvez eu esteja falando demais... mas o jeito deles, juntos... não parece de um casal que está noivo há meses. Parece que acabaram de se conhecer.
Alexander franziu o cenho, virando o rosto devagar para encará-la.
— Isso não é possível. Estão juntos há bastante tempo.
Enquanto dizia, a imagem da aliança no dedo dela, a mesma que ele viu meses atrás, voltou à sua mente. E, a dúvida lhe tomou os pensamentos com força.
Aurora percebeu o desconforto e pousou a taça lentamente sobre a mesa lateral.
— Há algo errado, Alexander... e parece que você sabe disso.
O pai de Alexander tomou o último gole de uísque e comentou com um ar pensativo:
— Talvez... os noivos estejam apenas nervosos. Tentando esconder alguma coisa.
Aurora ergueu uma sobrancelha, curiosa.
— Esconder o quê, querido?
Ele deu de ombros com naturalidade, mas soltou:
— Algo como... uma gravidez, talvez.
Alexander, que ainda estava de pé próximo ao aparador, engasgou de forma abrupta. Levou a mão à boca, tossindo com força. O rosto ficou imediatamente vermelho, os olhos marejados.
— Alex?! — Aurora se levantou num salto, desesperada, indo até ele. — Você está bem? Respira!
Ele tentou acenar, indicando que conseguiria recuperar o fôlego, mas a reação instintiva o entregava. Aquilo o havia atingido em cheio.
O pai o observava agora com atenção, em silêncio, sem disfarçar o interesse que suas palavras haviam causado.
Aurora, preocupada, tocou o rosto do filho e repetiu:
— Alexander, o que foi isso?
Mas ele já havia recuperado o controle. Respirou fundo e, como se nada tivesse acontecido, murmurou rouco:
— Foi só o uísque... desceu errado.
Os pais se olharam com um ponto de interrogação na testa
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