Capítulo 2
O táxi parou com um solavanco na frente do hospital. Isadora jogou algumas notas para o motorista e desceu apressada, descalça, segurando os saltos na mão.
Correu até a recepção, o coração disparado não só pela notícia do acidente, mas também pela mistura sufocante de vergonha, culpa… e desejo.
O corpo ainda ardia.
As lembranças vinham em flashes traiçoeiros, como se sua própria pele quisesse sabotar sua sanidade.
— Com licença… onde estão os pacientes do acidente na rodovia? — perguntou, tentando soar firme, mas a voz saiu trêmula.
A atendente levantou os olhos, avaliando Isadora dos pés à cabeça.
E, sim, ela estava... uma bagunça ambulante.
— Andar dois, ala de emergência. Elevador à esquerda.
— Obrigada. — respondeu, apertando o salto contra o corpo.
Entrou no elevador e, no reflexo do espelho, encarou a própria imagem.
A maquiagem borrada.
Os olhos vermelhos.
Os cabelos em desalinho.
E, ali, no dedo... a maldita aliança de noivado.
Engoliu em seco.
— O que eu fiz…? Meu Deus, o que eu fiz…? — sussurrou, apertando os olhos.
O som das risadas, os gemidos abafados, o toque quente, os olhos dele olhando dentro dos dela…

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