Assim que perguntou, Bianca se arrependeu. A pergunta soara tão estúpida.
Como esperado, Marcelo soltou uma risada grave que reverberou em seu peito, carregada de provocação.
— Você quer que eu te ensine como me mimar? — Ele rebateu, fazendo as bochechas de Bianca arderem ainda mais.
Realmente não fazia sentido.
Onde já se viu a pessoa chateada ter que ensinar a outra como agradá-la?
Derrotada, Bianca pegou o celular, abriu o KWII, hesitou por um momento e digitou na busca: "como agradar o marido chateado".
Os resultados que apareceram foram os mais variados possíveis.
"Faça um carinho, abrace-o e dê muitos beijos."
"Use uma lingerie sexy e faça uma surpresa para ele."
"Fale com voz doce, elogie-o e beije-o."
Bianca sentiu as orelhas queimarem de vergonha, os dedos ficando rígidos.
Dengo? Abraços e beijos? Lingerie sexy?
Mas que tipo de conselhos eram aqueles...
Ela jamais conseguiria fazer nada daquilo.
Além do mais, achava que aquilo não resolveria o problema pela raiz.
A solução de verdade deveria ser uma boa conversa, para que ele entendesse que ela não o ignorara de propósito e que seria mais atenta no futuro.
— O que você pesquisou aí? — A voz de Marcelo soou de repente ao lado do ouvido de Bianca, dando-lhe um susto.
Sem que ela percebesse, ele havia se aproximado, e a sua respiração quente roçou na orelha dela.
Desesperada, Bianca tentou bloquear a tela do celular, mas Marcelo segurou o pulso dela.
O olhar dele passou pelas sugestões explícitas na tela. Um sorriso sutil brilhou no fundo dos seus olhos, logo sendo substituído por um tom sombrio e profundo.
— Parece que a internet tem muitas lições para você. — Ele murmurou, com a voz baixa e sedutora. — Que tal escolher uma?
O rosto de Bianca estava tão vermelho que parecia prestes a sangrar. A voz dela saiu tão baixa quanto o zumbido de um mosquito:
— Nenhuma dessas serve.
— E por que não? — Marcelo insistiu.
— É que eu tenho vergonha... — Bianca sentia-se completamente desconfortável e tentou puxar a mão, mas ele a segurou mais firme.
Apoiando o queixo no topo da cabeça de Bianca, ele sussurrou com ternura:
— Mas, Bianca, da próxima vez, não ignore o seu marido assim.
Ele fez uma pausa e acrescentou:
— É uma sensação horrível.
Aconchegada no peito dele, ouvindo o ritmo firme de seus batimentos cardíacos, Bianca sentiu o pânico e a vergonha se acalmarem. Em seu lugar, surgiu uma emoção doce e reconfortante.
Ele era muito fácil de ser mimado.
Na verdade, não estava realmente furioso; apenas usara essa situação para que ela entendesse os sentimentos dele.
Bianca não era boba. Ela sabia disso.
— Hum, eu entendi. — Ela prometeu baixinho, apertando discretamente um canto do pijama dele.
Após alguns minutos de silêncio, ela ergueu o rosto, observando a linha do maxilar dele na penumbra.
— Senhor Amaral.
— Hum?

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