— Bem... nós não pensamos nisso na hora. — Gustavo esfregou as mãos, um pouco arrependido.
Rafael pegou o dinheiro, jogou-se no sofá e cruzou as pernas:
— E o que dá para fazer com cinquenta mil? A família da Lisa está exigindo oitocentos mil para o casamento, e a entrada de um apartamento aqui em São João custa pelo menos dois milhões de reais. Vocês precisam procurar o Senhor Amaral de novo e pedir mais.
— Ah... — Beatriz hesitou. — Nós acabamos de receber cinquenta mil dele. Ir lá pedir mais não pegaria mal?
— Qual é o problema? Ele e a Bianca são namorados, futuramente seremos da mesma família. É mais do que natural que um cunhado ajude o outro. — Rafael falou com total convicção.
A expressão de Beatriz ficou um pouco tensa, aquele dinheiro não seria tão fácil de conseguir assim.
Os olhos de Rafael vagaram de um lado para o outro antes de perguntar:
— Mãe, aquelas antiguidades da vovó ainda estão trancadas lá em casa, não estão?
O rosto de Beatriz mudou:
— Por que a pergunta?
— Por que mais seria? — Rafael inclinou-se para a frente. — A vovó era moça de família rica antigamente. Quando se casou, trouxe muitas coisas boas. Aquelas joias velhas, as pulseiras de jade, as moedas antigas... tudo isso vale uma fortuna hoje em dia! Só de vender algumas peças, já daria para eu pagar a entrada do apartamento!
— Nem pensar! — Gustavo o interrompeu rispidamente. — Aquelas coisas são o tesouro da sua avó. Ninguém toca naquilo.
— A vovó já está com Alzheimer. Desde que a Bianca a levou, nós nem sabemos onde ela está enfiada. — Rafael deu de ombros, indiferente. — Aquelas coisas vão ficar lá pegando poeira. É melhor vender e dar o dinheiro para o neto. Tenho certeza de que a vovó ficaria feliz se soubesse.
— Cale a boca! — Gustavo raramente se irritava com o filho, mas naquele momento seu peito subia e descia de raiva. — Ninguém mexe naquelas coisas a não ser em caso de extrema necessidade.
Beatriz também tentou acalmá-lo:
— Rafael, a mãe promete que vai procurar o Senhor Amaral para dar um jeito, mas não vamos mexer nas coisas da sua avó agora, está bem?
Gustavo e Beatriz conheciam o próprio filho bem demais. O rapaz não precisava de todo aquele dinheiro apenas para as despesas do casamento.
O filho tinha se viciado em jogos de azar.
Se eles cedessem um milímetro que fosse, o filho teria coragem de vender tudo e apostar até o último centavo.
Eles não podiam abrir aquela porta de jeito nenhum.
Quando era pequena, seus pais sempre favoreceram o irmão mais novo. Quando se mudaram para trabalhar em outra cidade, levaram o menino consigo e a deixaram para trás, ela foi criada pela avó.
Mais tarde, quando entrou na faculdade e seus pais cortaram seu sustento, a avó lhe entregou a pensão que havia economizado e disse:
— Estude bastante, Bia. Cria asas e foge dessa casa.
Algum tempo depois, a avó foi diagnosticada com Alzheimer. Gustavo e Beatriz acharam que ela daria muito trabalho e a internaram num asilo público bem ruim, lá no interior.
Bianca ainda estava na faculdade na época. Ao descobrir isso através de parentes, ela fez das tripas coração, trouxe a avó para São João e a internou naquela clínica particular, que tinha um excelente ambiente e ótima infraestrutura médica.
A avó era o seu maior ponto fraco.
Os custos mensais da clínica e dos medicamentos eram uma despesa e tanto.
E esse foi um dos motivos pelos quais ela não hesitou em exigir uma alta quantia quando Felipe sugeriu o término do namoro.
Ela precisava de dinheiro, muito dinheiro, para garantir que sua avó continuasse recebendo os melhores cuidados.
Durante o jantar, Marcelo anunciou uma novidade que pegou Bianca de surpresa.

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