Na mansão principal da Família Lacerda, no quarto de Bianca.
Sheila segurava um modelador de cachos, ajeitando com todo o cuidado as últimas mechas do cabelo da amiga.
Ela havia chegado à capital praticamente nas primeiras horas da manhã.
Bianca estava sentada diante da penteadeira, encarando o próprio reflexo no espelho com um olhar ainda um pouco atônito, vendo uma versão de si mesma tão diferente do habitual.
Vestia um modelo de alta-costura que Patrícia havia encomendado especialmente para ela em um ateliê de Paris.
Num tom branco pérola, a peça trazia uma mistura engenhosa de seda e tule. O corte, extremamente elegante e fluido, realçava com perfeição a silhueta de seu corpo.
O decote ombro a ombro deixava à mostra suas clavículas desenhadas e a linha graciosa do pescoço. A cintura alta e a saia assimétrica — mais curta na frente e longa atrás, com uma cauda sereia elegante que arrastava no chão — faziam com que o tecido fluísse como as ondas do mar a cada passo que dava.
A maquiagem fora feita de forma impecável por um profissional contratado, sendo bem mais sofisticada e marcante do que Bianca costumava usar, destacando os melhores traços de seu rosto.
Principalmente os olhos, que, com o delineado e os cílios volumosos, pareciam ainda maiores e mais brilhantes. Quando ela piscava, a semelhança com a beleza radiante que Patrícia ostentava na juventude era assombrosa.
— Meu Deus, Bianca, você quer matar alguém do coração com tanta beleza?!
Sheila soltou o modelador de cachos, deu dois passos para trás e colocou as mãos no coração, encenando um desmaio de admiração: — Essa é mesmo a Bianca que eu conheço, que só vivia para os projetos? Você está parecendo uma rainha prestes a ser coroada!
Bianca riu da exaltação da amiga: — Não seja exagerada, é só porque a roupa e a maquiagem são mais formais.
— Exagerada?!
Sheila começou a dar voltas ao redor dela, estalando a língua de admiração: — Olha esse vestido, essas joias, essa presença... Será que agora vou ter que te chamar de patroa? Me adota, por favorzinho, minha senhora!
Bianca deu um tapinha de leve nela, com os olhos sorridentes: — Adoto, sustento você para o resto da vida, está bom assim?
— Agora sim! Amanhã mesmo eu fecho a minha cafeteria, já não aguento mais aquela vida de gerente! — brincou Sheila, cheia de satisfação.
— Mas falando sério, Bianca, te ver assim me deixa mais feliz do que qualquer pessoa. Você merece o melhor, de verdade.

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