Entrar Via

O Preço do Amor romance Capítulo 244

Marcelo também abaixou o rosto para encará-la, o olhar atento, apenas esperando que ela falasse.

Sob a luz suave e amarelada da sala, seus traços pareciam bem mais amáveis. Nas profundezas dos seus olhos, reluziam pequenos reflexos, onde era possível ver uma versão minúscula e nítida de Bianca.

Bianca o observou por alguns segundos. Um brilho travesso surgiu no seu olhar e, falando de forma lenta e muito clara bem perto do ouvido dele, disse:

— A Bianca... odeia o Marcelo.

Marcelo ficou sem palavras.

A expressão dele congelou por um segundo. Logo depois, ele franziu a testa, deixando transparecer um misto de resignação e imenso carinho.

Sabia que ela só estava sendo teimosa.

Mas ainda assim, ele queria muito ouvi-la dizer que não o odiava.

— Repete? — Marcelo a fitou com a voz levemente mais baixa, numa espécie de ameaça velada, embora o olhar continuasse repleto de ternura.

— A Bianca odeia o Marcelo.

Sem demonstrar qualquer intimidação, Bianca sustentou o olhar, erguendo ligeiramente o queixo ao repetir a frase com ainda mais convicção.

O único problema era que seus olhos e a ponta do nariz continuavam vermelhos, e seus lábios faziam um leve biquinho. Aquela tentativa de parecer brava não metia medo nenhum; parecia muito mais um charme manhosinho.

Ao ver a carinha que ela fazia, Marcelo se inclinou num impulso e calou os lábios dela com um beijo.

De forma leve e suave, tomou os lábios de Bianca entre os seus, provando-a com uma delicadeza minuciosa.

Pega de surpresa por aquela gentileza repentina, Bianca hesitou por um segundo. Logo depois, fechou os olhos e se entregou ao beijo.

A Bianca não odiava o Marcelo.

Não odiava nem um pouco.

Apenas continuava um tantinho irritada, um pouquinho ressentida e... sem a menor vontade de dar o braço a torcer tão fácil assim.

Quando o beijo terminou, ambos estavam com a respiração ofegante.

Marcelo colou sua testa na dela. Com os narizes se tocando, as respirações se misturavam no mesmo ritmo.

— Mentirosinha.

Respirou fundo e gritou em direção à escada:

— Mãe, sou eu! Só desci para beber um pouco de água. Está tudo bem, pode voltar a dormir! Daqui a pouco eu subo!

No meio dos degraus, os passos de Patrícia cessaram por completo.

Segundos depois, a voz da mãe ecoou, cheia de dúvida:

— Mas não tem um bebedouro no seu quarto?

— Pode ir dormir, mãe! Já estou subindo! — Bianca tentava despistá-la, morrendo de medo de que a mãe continuasse descendo a escada.

Preso sob ela, Marcelo sentia a proximidade intensa dos dois corpos. Através do tecido fino da camisola e da camisa social, as temperaturas e o ritmo das batidas cardíacas de ambos se tornaram evidentes.

Os cabelos longos de Bianca roçavam em seu rosto e no seu pescoço, provocando pequenos arrepios e cócegas.

O perfume suave e fresco do banho que ela havia tomado se infiltrava a cada movimento, dominando as vias respiratórias do marido.

Enquanto isso, sua garotinha continuava completamente absorta, preocupada em despistar a mãe na escada, sem ter a mínima ideia de que a posição em que se encontravam era íntima demais... e absurdamente perigosa.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Amor