Marcelo havia esperado seis anos; a amada era dez anos mais jovem.
Felipe namorara por seis anos e terminara na véspera do casamento.
A idade batia perfeitamente; o tempo também.
Além disso, conhecendo a natureza obsessiva do amigo, o que o faria esperar tantos anos sem se manifestar? Certamente não era só a diferença de idade; deveria haver também um gigantesco obstáculo imposto por um tabu social ou escrúpulo pessoal.
O estigma de "ser apaixonado pela namorada do próprio filho adotivo" era sem dúvidas um empecilho forte o bastante, um abismo profundo e quase intransponível.
— Marcelo... a mulher com quem você se casou... não me diga que é a ex-namorada do Felipe, aquela com quem ele ficou por seis anos? — Renato sondou o terreno, diminuindo o tom de voz.
Fabiano e Diogo ficaram de queixo caído, virando a cabeça simultaneamente para encarar Marcelo.
Marcelo sustentou o olhar de Renato e, mais uma vez, não negou.
Ali estava: ele estava confirmando.
— Minha nossa... — murmurou Renato, sem conter o espanto, mas logo caiu na gargalhada e balançou a cabeça. — É bem a sua cara, Marcelo. Ou não age de jeito nenhum, ou quando decide agir, vai direto pro tudo ou nada. Pai tomando a mulher do filho, que enredo dramático.
— E o Felipe, já está ciente disso? — Diogo ajeitou os óculos.
— Ele vai descobrir quando for o momento certo — disse Marcelo, servindo-se de mais chá.
— Com essa confusão em família... suspeito que a sua casa nunca mais vai ter paz — Diogo balançou a cabeça e riu.
— E daí? — Renato cruzou as pernas, exibindo um sorriso cheio de malícia. — Desde quando o Marcelo tem medo de confusão? A minha única curiosidade é: a sua esposa sabe que você passou os últimos seis anos apaixonado por ela?
— Ela ainda não sabe. Por enquanto, enxerga isso apenas como um acordo de interesse mútuo — Os dedos de Marcelo apertaram a xícara com mais força, e sua voz saiu grave.
— Você ganha ela. E o que ela ganha? — Renato ergueu as sobrancelhas.

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