— Olha só, o Marcelo finalmente resolveu dar uma pausa na vida agitada? — provocou Fabiano Ribas com um sorriso.
Ele era um dos maiores cirurgiões cardiovasculares do país; com uma presença suave e dedos longos e habilidosos, aquecia calmamente sua xícara.
— Não enche, ando muito ocupado ultimamente — disse Marcelo, que entregou o sobretudo ao garçom, acomodou-se em um assento livre e afrouxou o colarinho.
— Ocupado? — Diogo Rocha, que estava sentado à frente dele e atuava no cenário político, ajustou os óculos de aros dourados. — Ocupado, mas esbanjando tanta vitalidade?
A última vez que se reuniram foi há meio ano.
Naquela época, Marcelo ainda carregava um peso inquebrantável entre as sobrancelhas.
Mas hoje, a diferença era nítida: seu rosto transbordava uma satisfação radiante, sem mencionar a marca de mordida na lateral de seu pescoço.
— Impressão sua — Marcelo segurou a xícara que Fabiano lhe passou e tomou um pequeno gole.
— Tá óbvio demais! — Renato Faria deu uma risada, encostado em um pufe perto da janela.
Ele era o mais novo do grupo. Dono de uma personalidade rebelde e vida amorosa agitada, não quis seguir a carreira política da família; em vez disso, optou por abrir um banco de investimentos.
Renato estreitou os olhos brilhantes, desvendando instintivamente a verdade ao bater o olho na marca de mordida no pescoço do amigo.
Por anos, Marcelo impedira que qualquer mulher se aproximasse, pois seu coração já tinha dona.
Sendo assim, a única dona possível daquela marca de dentes era a mulher da sua vida.
— Marcelo, eu conheço bem esse olhar. Deixa eu adivinhar... O milagre aconteceu e você finalmente conseguiu o que queria?
— Sim — Marcelo não negou, permitindo que a curva de um sorriso surgisse nos lábios.
A sala ficou em silêncio por um segundo, logo tomado por risos contidos e exclamações de surpresa.
— Não foi nada fácil — Fabiano balançou a cabeça, servindo mais chá. — Seis anos de espera até finalmente alcançar seu final feliz. Parabéns.
— Lembro quando você disse que já era apaixonado por alguém, mas que não era a hora certa, que precisava esperar. Quem diria que a espera ia valer a pena. Quando aconteceu? — Diogo também sorriu.
— Assinamos os papéis do casamento há alguns dias. Não pretendemos tornar isso público pelos próximos dois anos — Marcelo deu um gole no chá antes de responder.

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