Não era Quinton, tampouco Glória.
Era um homem corpulento vestido com um terno preto, que bloqueava a porta como se fosse uma parede humana.
Wilson riu e relaxou a postura, mas seu tom de voz se tornou ainda mais assustador: — Milton, acompanhe a Senhora Correia até o banheiro. O restaurante é grande, não quero que ela se perca.
O homem chamado Milton virou-se ligeiramente de lado e fez um sinal para que Bianca passasse.
O coração de Bianca despencou no peito.
Ela foi semi-empurrada para fora. Todas as portas das outras salas ao longo do corredor estavam firmemente trancadas.
Milton caminhava a meio passo atrás dela. Era a distância ideal: nem tão próxima que chamasse a atenção de outras pessoas, nem tão longe que a impedisse de intervir caso ela tentasse alguma loucura.
Ao dobrar uma esquina, pelo canto do olho, Bianca notou a placa da saída de emergência no fim do corredor, e começou a calcular mentalmente as chances de fugir por lá.
Quando chegaram à porta do banheiro feminino, Milton parou e esperou do lado de fora.
Bianca entrou correndo, trancou a porta às pressas e encostou-se no metal gélido, respirando com dificuldade.
Puxou o celular. A tela acendeu, revelando duas mensagens não lidas.
Uma delas era de Diana, enviada havia cinco minutos: 'Tome cuidado. O Wilson tem más intenções. Ele forçou todo mundo a inventar desculpas para ir embora. A Fernanda e eu estamos por perto. Se acontecer qualquer coisa estranha, grite e nós chamaremos a polícia e invadiremos o lugar!'
Ela podia pedir para que Diana chamasse a polícia imediatamente. Contudo, levaria um tempo até as viaturas chegarem; era tempo suficiente para Wilson tentar algo e, pior, distorcer a história, alegando que foi tudo uma brincadeira que saiu do controle devido à bebida.
Sem provas físicas contundentes, a denúncia acabaria sendo arquivada, e ela criaria um inimigo formidável em Wilson. Como ele havia ameaçado, corria o risco de ser banida do círculo de design de São João.
Ela também poderia tentar saltar pela janela do banheiro, mas eles estavam no quarto andar.
Do lado de fora, a voz inexpressiva de Milton atravessou a porta: — Senhora Correia, está tudo bem? O Senhor Gomes mandou lembrá-la de não demorar muito.
Na mente de Bianca, um rosto surgiu sem que ela pudesse controlar.
Marcelo.
Mas... será que ele se importaria? Ele devia estar bravo com ela.
Sem contar que aquilo era um problema do trabalho dela, envolto em circunstâncias desagradáveis e difíceis de justificar.

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