Ela se encostou na porta e escorregou lentamente até o chão frio, escondendo o rosto entre os joelhos e mordendo os lábios com força para não deixar escapar nenhum som de choro.
— Vá para este endereço, o mais rápido que puder. — Pelo telefone, ecoou o som do motor de um carro dando partida e a ordem de Marcelo ao motorista.
Em seguida, ouviu-se o som sutil do veículo acelerando e a respiração dele.
Marcelo não disse mais nada, mas aquela companhia silenciosa e a promessa de que chegaria logo acalmaram o coração aflito de Bianca.
— Dona Bianca, a senhora ainda não terminou? — a voz do homem de preto soou abafada através da porta. — O senhor Gomes está esperando.
— Desculpe, não estou muito bem do estômago e acho que vou demorar mais um pouco. Por favor, avise ao Wilson que não precisa me esperar, eu volto sozinha mais tarde. — Bianca respirou fundo.
Houve alguns segundos de silêncio do lado de fora.
— O senhor Gomes deu ordens claras de que devo levá-la de volta ao camarote em segurança. — A voz do homem soou mais fria e dura.
— Dona Bianca, não dificulte o meu trabalho. Se não sair agora, terei que entrar.
Entrar?
Um calafrio percorreu a espinha de Bianca.
— Eu realmente não estou me sentindo bem... — ela insistiu.
— Ignore-o. Não saia, não importa o que ele diga, e tranque bem a porta. — A voz de Marcelo soou baixa do outro lado da linha.
— Uhum. — Bianca murmurou em resposta, pressionando o corpo com todas as forças contra a porta.
O tempo passava minuto a minuto, e cada segundo parecia uma tortura agonizante no fogo ardente.
Do lado de fora, o homem de preto pareceu se afastar, mas logo retornou. Os passos eram mais pesados, e vinham acompanhados de uma voz que deu náuseas em Bianca.
— Bianca, por que está demorando tanto aí dentro? Não está se sentindo bem? Abra a porta, deixe o Wilson dar uma olhada.
Bianca prendeu a respiração, sem ousar fazer um som.
— Bianca, abra a porta.
— Não queira as coisas do jeito mais difícil. Vou contar até três. Se não abrir, vou mandar arrombarem a porta. Um... — A voz de Wilson assumiu um tom sombrio.
O coração de Bianca batia descompassado.
Em meio ao caos, a voz de Marcelo surgiu pelo telefone.
— Bianca, cheguei. Está segura agora, pode sair.
As pernas de Bianca fraquejaram, e ela precisou se apoiar na parede para se manter de pé.
Ela colocou a mão na maçaneta fria, hesitou por um segundo e a girou suavemente.
A porta se abriu devagar, revelando uma fresta.
A primeira coisa que seus olhos captaram foi uma figura alta e imponente, de costas para ela, bloqueando a visão a poucos passos da entrada.
Era Marcelo.
Ele vestia um sobretudo preto impecável. Seus ombros largos pareciam uma muralha, isolando completamente toda a confusão e a sordidez do lado de fora.
Ao ouvir o clique da porta se abrindo, ele se virou.
Bianca disparou para fora do banheiro e se jogou nos braços dele.

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