— Ok. — Ele cedeu, puxando uma cadeira para junto da minha cama. — Vou ficar até você adormecer.
Não era exatamente o que eu queria, já que esperava que ele se deitasse ao meu lado, mas era melhor do que nada, de modo que aceitei o compromisso com um sorriso agradecido.
— Obrigada. — Murmurei, estendendo a mão para a dele novamente.
Logo, Martha chegou com o chá calmante de flores-da-lua, colocando a xícara fumegante na minha mesa de cabeceira.
— Precisa de mais alguma coisa, Alfa Stone?
Ethan balançou a cabeça.
— Só isso, Martha. Obrigado.
Bebi o chá obedientemente, sentindo o calor suave se espalhar pelo meu corpo, já que a erva era conhecida por suas propriedades calmantes, especialmente eficazes para lobisomens que sofriam de ansiedade.
Quase rendida ao sono, apertei ainda mais a mão de Ethan e, fitando-o de propósito, deixei que em meus olhos se refletisse a combinação meticulosamente planejada de afeto e fragilidade.
— Não vá embora… — Sussurrei, com a voz já arrastada pelo efeito do chá.
Os olhos âmbar de Ethan suavizaram.
— Não vou. — Prometeu.
Deixei que o sono me envolvesse com um sorriso vitorioso nos lábios, convicta de ter triunfado naquela disputa: Olivia se encontrava abandonada em algum canto, enquanto Ethan estava comigo, cumprindo a promessa feita cinco anos antes, de estar ao meu lado e me proteger.
-
(Ponto de Vista de Olivia)
Envolta pela escuridão sufocante, permaneci sozinha na estrada de terra, com as lanternas traseiras de Ethan há muito tempo desaparecidas, deixando-me perdida em território estranho.
O tornozelo martelava de dor pela torção, e inspirei profundamente para tentar acalmar o coração acelerado.
— Pense, Olivia… — Murmurei para mim mesma. — Você não pode ficar aqui a noite toda.
Olhei ao redor em busca de um ponto de referência que me ajudasse a me orientar. À frente, a lua revelava uma bifurcação: uma das estradas seguia na direção por onde Ethan havia partido, enquanto a outra se abria para a direita.
Optei por essa última, acreditando que poderia me levar até uma estrada principal ou talvez até uma vila. E mesmo com cada passo irradiando dor pelo meu tornozelo, forcei-me a avançar.
O silêncio que dominava a floresta soava antinatural, sendo perturbado apenas pelo ocasional farfalhar da fauna noturna. Assim, apertei os braços em torno de mim, desejando estar protegida por roupas mais grossas do que aquela blusa fina, e segui caminhando…
Os vinte minutos pareceram uma eternidade, até que um som diferente cortou o silêncio: o motor de um carro. Naquele instante, a esperança se reacendeu, pois talvez aquela fosse minha saída de volta para a civilização.
No entanto, o som que se aproximava não pertencia a um carro, mas a uma motocicleta, cujo farol solitário atravessava a escuridão e iluminava a estrada diante de mim.
O veículo carregava algo que deixou Cora, minha loba, perturbada, e o que poderia trazer segurança acabou trazendo apenas pavor.
Portanto, reagi de imediato, afastando-me da estrada e me ocultando atrás do tronco largo de uma árvore. Enquanto isso, a moto acabou se aproximando ainda mais, reduzindo a marcha, com o som grave do motor ecoando na escuridão.
Os olhos dele se estreitaram, fixando-se no pingente de cristal no meu pescoço… Aquele que continha as cinzas de Lily.
— E isso aí? — Perguntou, apontando para o colar. — Parece valioso.
Instintivamente, segurei o pingente, balançando a cabeça.
— Não é. Não tem valor monetário algum.
— Está mentindo… — Rosnou, avançando. — Você não o protegeria assim se não valesse nada.
Antes que eu pudesse reagir, ele me golpeou no rosto, e o gosto metálico de sangue encheu minha boca.
— Entregue! — Exigiu, tentando arrancar o pingente.
Agarrei-o com firmeza desesperada, à medida que a dor se distorcia em angústia.
— Não! Você não iria entender... Isso é da minha filha. — Implorei, com os olhos marejados. — Ela morreu. São as cinzas dela!
Ele hesitou por um instante, mas logo o semblante se endureceu.
— Acha que pareço idiota? Entregue logo!
Foi então que avançou outra vez, prendendo minha garganta com uma mão enquanto tentava arrancar o pingente com a outra. No entanto, lutei com todas as minhas forças, arranhando seu rosto e chutando suas pernas, movida pela única coisa que ainda me restava: proteger a memória da minha filha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada