(Ponto de Vista de Olivia)
— Vadia! Está pedindo uma surra, não é? — A voz do homem cortou a escuridão como uma lâmina.
A cada segundo, suas mãos enormes apertavam meu braço como pinças de ferro, fazendo a dor se tornar quase insuportável, mas minha determinação me impediu de soltar o colar.
— Sua idiota! — Rosnou, com a frustração evidente na voz. — É só um colar!
Mas não era só um colar. Era a Lily... Minha doce e linda Lily, que morrera jovem demais, cujas cinzas eu carregava junto ao coração porque não suportava a ideia de me separar dela.
O homem apertou com mais força, com os dedos afundando dolorosamente em minha pele. Para conter o grito, mordi o lábio até sentir o gosto metálico do sangue.
E como eu ainda me recusava a largar o pingente, ele começou a chutar, atingindo a bota nas minhas costelas, e espalhando uma agonia cortante por todo o meu corpo.
— Pare… — Supliquei, encolhendo-me ainda mais em torno do colar. — Por favor...
Ele ignorou completamente o meu pedido e logo em seguida acertou outro chute brutal na minha lateral, de forma que ouvi um estalo dentro de mim, mas continuei segurando, determinada a não largar.
Cada impacto arrancava de mim um grito que, por sua vez, ecoava pela vastidão deserta, mas não havia ninguém para ouvir, tampouco alguém para ajudar.
Ethan tinha me abandonado ali, correndo para os braços de Victoria sem pensar duas vezes.
À medida que a dor crescia, minhas lembranças se projetaram para o instante em que Lily morreu, revelando diante de mim o seu rostinho pálido e o aperto débil de sua mão, tão frágil quanto fria, tentando se segurar à minha. Por fim, o som dos aparelhos foi diminuindo cada vez mais, até que se calaram definitivamente.
— Lily, não tenha medo… — Murmurei pelos lábios ensanguentados. — A mamãe vai proteger você desta vez.
Eu tinha falhado em protegê-la em vida, incapaz de salvá-la da falência renal que a levou, mas agora eu a protegeria, ainda que isso custasse minha própria vida.
Logo, mais um chute atingiu minhas costas, fazendo a dor percorrer minha coluna inteira e deixando minha visão turva, enquanto a escuridão, pouco a pouco, avançava pelas bordas.
— Apenas... Me... Dê... O... Maldito... Colar! — Cada palavra foi marcada por mais um golpe.
Minhas forças se esvaíam e, como se não bastasse, os dedos, já escorregadios de sangue, não conseguiam mais segurar o pingente, de modo que, embora eu tentasse resistir, meu próprio corpo me traía.
Então, com um puxão triunfante, o homem arrancou o colar das minhas mãos.

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