Endireitei a postura.
— Eu não sei, senhor, o Alfa Ethan me enviou para buscar a Luna Olivia, mas ela não está aqui.
A expressão de Lucas Blackwood escureceu.
— Quando foi a última vez que falou com o Ethan?
— Há cerca de uma hora. — Respondi, explicando em seguida. — Ele disse que precisava atender a uma emergência com a Srta. Frost e pediu que eu garantisse o retorno seguro da Luna Olivia.
Um músculo se contraiu no maxilar de Blackwood.
— Uma emergência com Victoria Frost… — Repetiu, em um tom que deixava claro o que pensava a respeito.
Então, ele examinou atentamente a clareira e, ao notar a terra revolvida e os galhos quebrados, estreitou os olhos, murmurando em seguida mais para si do que para mim:
— Algo aconteceu aqui.
E sem mais uma palavra, puxou o celular e fez uma ligação.
— Preciso do helicóptero nestas coordenadas imediatamente e certifiquem-se de trazer também uma equipe médica.
Meu estômago afundou.
— Equipe médica?
Os olhos cinzentos de Blackwood encontraram os meus, frios e acusadores.
— O seu Alfa deixou a própria companheira vulnerável em território infestado por renegados. Se algo acontecer a ela, a responsabilidade será toda dele!
Quis defender o Alfa Ethan, mas as palavras morreram na minha garganta, porque, no fundo, eu temia que Blackwood estivesse certo.
-
(Ponto de Vista de Lucas)
O helicóptero chegou em poucos minutos, com o facho poderoso do holofote cortando a escuridão, e, do alto, vasculhamos a área ao redor, procurando qualquer sinal de Olivia.
— Ali! — Apontei para uma pequena figura imóvel no chão, a cerca de oitocentos metros da clareira.
Meu coração disparou quando o helicóptero começou a descer e, antes mesmo de tocar completamente o solo, já estava pulando para fora e correndo em direção àquele corpo.
(Ponto de Vista de Olivia)
Acordei no Centro Médico da Crista de Prata, cercada pelo odor de antisséptico e pelo compasso mecânico do monitor cardíaco. No entanto, ainda que meu corpo inteiro doesse, era a perda do pingente de Lily que superava qualquer sofrimento físico.
Foi então que senti uma mão quente cobrindo a minha, e virei a cabeça para ver Lucas Blackwood sentado ao lado da minha cama, com seus olhos cinzentos, normalmente impassíveis, agora contendo um brilho de calor que eu nunca havia visto.
— Você acordou… — Disse ele suavemente, com o alívio evidente na voz.
Tentei falar, mas minha garganta estava seca. Então Lucas pegou o copo de água na mesa de cabeceira e me ajudou a tomar um gole pequeno.
— Obrigada. — Murmurei, quase sem voz.
A expressão dele suavizou ainda mais ao pousar o copo.
— Sinto muito por não ter chegado antes…
Balancei a cabeça levemente, apesar da dor que o movimento causava.
— Você salvou minha vida… — Consegui dizer. — Sou grata por isso.

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