(POV de Olivia)
Fiquei congelada, a voz zombeteira de Victoria ainda ecoava em meu ouvido. Meus dedos esmagaram o telefone até que ficaram brancos.
— Emma quer convidar Lily para se juntar a nós. Vou pedir a Ethan que vá buscar você e Lily agora, tudo bem?
A crueldade calculada daquelas palavras me atingiu como um golpe físico. Victoria sabia que Lily estava morta. Ela sabia que aquele era o dia da cerimônia de enterro da minha filha. Aquilo não tinha sido um erro ou descuido. Era um ataque deliberado.
Meu olhar baixou para a direção da urna recém-instalada, o local final de descanso de Lily. A lembrança do rosto da minha doce filha passou diante dos meus olhos, seu sorriso esperançoso, quando ela pediu a Ethan para que a levasse à Feira do Luar, a decepção em seus olhos quando ele quebrou aquela última promessa...
Victoria usava a morte da minha filha como uma arma contra mim. Mesmo agora, ela comemorava uma vitória de terceiro lugar de Emma em uma competição de corrida escolar, exibindo a afeição de Ethan por aquela criança, enquanto destacava a negligência com a minha filha.
Meus olhos cor de esmeralda ardiam com lágrimas de raiva. Quantas vezes Victoria usara o favoritismo de Ethan para machucar Lily? Quanto minha filha chorou quando Emma recebeu o vestido de Princesa de Gelo bordado de cristal, pelo qual ela mesma tinha implorado, ou a viagem para o Mundo Lupino, com a qual ela tanto tinha sonhado? Mesmo na morte, eles não deixariam sua memória em paz.
— Tudo bem. — Respondi friamente ao telefone. — Eu vou sim, mas Ethan não precisa vir me buscar.
Encerrei a ligação antes que Victoria pudesse responder. Minha decisão tinha sido tomada em um instante, eu iria para aquela festa. Eu não permitiria mais que eles desrespeitassem a memória da minha filha.
— Lily… — Sussurrei para a urna, meus dedos traçando suavemente as inscrições em baixo relevo na madeira da lua. — Mamãe não vai deixar você sofrer mais.
Com um último olhar para o lugar de descanso tranquilo, virei-me e caminhei em direção ao meu carro, com cada passo cuidadosamente calculado. Victoria Frost tinha me empurrado longe demais desta vez.
A viagem para o Hotel Coroa Prateada passou em um borrão de determinação. Estacionei na garagem subterrânea e eu tinha as mãos firmes, apesar da raiva que queimava dentro de mim.
A opulenta entrada do hotel brilhava com lustres de cristal e mármore polido. Eu podia ouvir o riso das crianças ecoando do salão de baile quando me aproximei. Victoria estava na entrada, cumprimentando os convidados com seu sorriso perfeito. Mas, quando ela me viu, sua expressão congelou, em genuína surpresa. Ela claramente não esperava que eu fosse aparecer.
— Olivia... — Ela gaguejou. Sua compostura momentaneamente vacilando. — O que você está fazendo aqui?
Antes que eu pudesse responder, uma comoção atrás dela chamou nossa atenção. Ethan havia saído do salão de baile, provavelmente alertado da minha presença por algum membro vigilante da matilha.
Seus olhos cor de âmbar se estreitaram quando ele se aproximou, examinando o espaço atrás de mim. Eu sabia o que ele estava procurando, ou melhor, quem. Victoria, vendo Ethan se aproximar, aproveitou a oportunidade. Seu rosto se transformou em uma máscara de preocupação inocente.
— Olivia, por que você está sozinha? — Ela perguntou. Sua voz alta o suficiente apenas para garantir que Ethan escutasse cada palavra. — Onde está Lily?
Algo dentro de mim estalou. Cinco anos me contendo, tentando manter a dignidade, apesar da crueldade daquela mulher, evaporaram em um instante.
Minha mão se moveu, antes que eu pudesse pensar, estalando no rosto perfeito de Victoria, com toda a força que pude reunir. O som ecoou pelo hall de entrada, silenciando as conversas próximas.
A cabeça de Victoria se virou para o lado, e uma marca de mão vermelha perfeita apareceu em sua bochecha pálida. Mas, antes que ela pudesse se recuperar, eu a esbofeteei novamente.
— Victoria Frost, você sabe perfeitamente bem que Lily está morta. — Eu cuspi. Com minha voz tremendo de fúria.
Os olhos de Victoria se arregalaram em choque, não pelas minhas palavras, mas pela minha audácia em agredi-la. Ninguém jamais tinha se atrevido a atacá-la daquela maneira na frente do Alfa.
— Como você ousa? — Ela se engasgou. Com uma mão acariciando a bochecha avermelhada.
Eu me movi para dar um terceiro tapa, mas, de repente, meu pulso ficou preso em um aperto de ferro. Ethan tinha chegado e seu rosto estava contorcido de raiva.
— Olivia Winters, não ouse me provocar mais! — Ele rosnou. Seus olhos cor de âmbar brilhando com o aviso.
Victoria imediatamente aproveitou a vantagem, jogando-se no braço livre de Ethan. Lágrimas escorreram pelo seu rosto, enquanto ela enterrava a cabeça contra o peito dele.
— Ela enlouqueceu. — Victoria soluçou dramaticamente. — Ela voltou a delirar sobre a morte da Lily! Ela está com ciúmes das conquistas de Emma!
Eu olhei para ela, incrédula. A audácia de suas mentiras não conhecia limites.
— Você machucou uma criança! — Ela acusou. Sua voz aumentando de tom, histericamente. — Você empurrou Emma para dentro do bolo!
Ethan soltou meu pulso, movendo-se para confortar Emma. Ele a levantou sem esforço, aparentemente despreocupado com o glacê que manchava seu terno de grife.
— O que você está fazendo aqui, Olivia? — Ele perguntou friamente. Sua mão acariciando o cabelo de Emma, enquanto ela enterrava o rosto contra o ombro dele.
Eu ri amargamente.
— Victoria não me convidou? — Eu perguntei. Minha voz carregada de sarcasmo. — Ou tinha sido apenas mais um de seus joguinhos?
Victoria deu um passo à frente, com a fachada perfeita de volta ao lugar, apesar da bochecha avermelhada.
— Eu o convidei por preocupação com Ethan. — Ela afirmou. — Ele está preocupado com você. Mas agora, vejo que foi um erro.
Ela se virou para Ethan, com expressão suplicante.
— Ela está arruinando o dia especial de Emma. Por favor, peça para ela ir embora.
Olhei ao redor do salão de baile, observando os rostos chocados dos convidados. Alguns, reconheci como membros da matilha, outros provavelmente eram pais dos colegas de classe de Emma. Todos eles assistiam o drama se desenrolar com interesse indisfarçável.
Aquilo era exatamente o que Victoria queria, humilhar-me publicamente, pintar-me como a mulher instável e ciumenta, enquanto ela interpretava a mãe e companheira perfeita para Ethan.
Mas eu tinha me cansado de jogar pelas regras dela. Minha mão se fechou ao redor da borda da toalha que cobria uma mesa de refrescos. Se Victoria queria uma cena, eu daria a ela uma que ela não esqueceria.
— Victoria Frost! — Eu disse. Com firmeza, meus dedos apertando o tecido. — Você já ouviu o ditado: quem planta vento, colhe tempestade?

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