POV DARIUS.
A ira queimava dentro de mim como brasas incandescentes. Meus punhos estavam cerrados, as unhas cravadas na carne, mas a dor física era insignificante diante do que consumia minha alma. A traição, a mentira, o destino cruel que me fora imposto. Baltazar rugia dentro de mim, sua voz como um trovão em minha mente.
— Você precisa trazê-la de volta, Darius! — ele exigiu, sua voz grave e urgente em minha mente. — Você sabe que precisa dela. Seu corpo, sua alma… Tudo em você clama por Alice! — disse.
— Cale-se, Baltazar! — rosnei em pensamento, o ódio pulsando. — Eu não a quero aqui! Ela me enganou, brincou com a minha vida! Me fez acreditar que era outra pessoa! — Falei, rosnando em resposta, sentindo meu corpo enrijecer.
— Ela não te enganou. Alice nem sabia quem era. A meu ver, ela foi uma vítima também. A mãe dela é a culpada. Estou sofrendo com essa revelação, mas não posso odiar Alice. — disse Baltazar, nervoso.
— Ela é sua companheira! — Necro interveio, sua voz gélida como sempre, mas com uma intensidade que eu não podia ignorar. — Sem ela, Darius, você está se condenando a um vazio sem fim.
— Prefiro o vazio do que a dor da mentira! — grunhi.
— Você sabe que está errado. — Comentou Necro, sua voz grave e firme. — Está deixando a raiva te cegar. — falou.
— Sei exatamente o que estou fazendo. — Rebati, apertando os punhos. — Alice nos traiu. Como posso simplesmente ignorar isso? — Perguntei.
— Deve porque ela é nossa companheira! — Baltazar rugiu. — Você precisa dela tanto quanto precisa de ar. Está nos matando com essa decisão! — Disse sério e dramático. Ficamos anos sem nossa primeira companheira e não morremos. Pensei.
Antes que eu pudesse responder, senti a aproximação de meus pais. Eu já sabia estarem vindo para obter respostas, sentia suas presenças atravessando os corredores, e aquilo somente alimentava minha fúria. Eu não queria ser perturbado, não agora. A porta foi aberta com força. Meus pais entraram, suas expressões sérias, a preocupação estampada nos olhos.
— Darius, o que está acontecendo? Por que Alice foi chamada de traidora? — Minha mãe perguntou, a voz embargada.
Soltei um suspiro pesado, massageando as têmporas. Eu não queria discutir isso, mas sabia que não teria escolha. Suspirei mais uma vez, passando a mão pelo rosto. Meus pais não desistiriam enquanto não soubessem de tudo.
— Meu filho… Eu nunca vou me perdoar por não estar ao seu lado nos momentos em que mais precisou de mim. Mas saiba que, mesmo assim, eu nunca deixei de te amar. Eu te amo, meu filhote. E é por te amar que devo te aconselhar para não fazer a pior escolha da sua vida. — Falou meu pai. Senti meu peito se apertar, mas mantive a expressão dura.
— Sei que Alice errou quando lançou a maldição em Julian, agindo como juíza. Mas Alice só é culpada de castigá-lo. Não foi ela quem me amaldiçoou, foi a própria Deusa Lua tentando proteger Julian. Ela me condenou a esse fardo. E também não foi Alice quem te lançou essa maldição, mas sua avó, Eugênia. Ela quis me proteger e não se importou de que meus herdeiros sofressem. Foi Eugenia que te condenou a essa vida terrível. — Meu pai falou, sua voz firme, mas carregada de dor. Minha mandíbula se enrijeceu.
— Está me pedindo para perdoá-la? Depois de toda a dor que passei, das vidas que tirei, de tudo que te contei? — Perguntei. Minha voz saiu em um rugido.
— Sei que está ferido e que precisa se curar primeiro… Mas Alice é sua companheira e foi ela quem te livrou da maldição. Ela faz parte de você, meu filho. Você não conseguirá ficar longe dela. A menos que a rejeite. — Meu pai disse, me encarando com intensidade. Um rosnado escapou dos meus lábios e, dentro de mim, Baltazar e Necro rugiram em fúria.
— Ele não pode estar falando sério! — Baltazar rugiu. — Você sabe que não pode rejeitá-la! Ela é nossa! — Falou Baltazar, raivoso.
— Seu pai não está errado, Darius. — Necro disse, sua voz mais contida, mas igualmente insistente. — Sem Alice, vamos perecer lentamente. Você pode até suportar, mas não sem consequências. — Disse.

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