POV ALICE.
Despertei outra vez e meu corpo ainda estava dolorido e exausto. Olhei em volta e percebi que não estava mais no mesmo quarto de antes. A claridade desse cômodo não era agressiva como a do outro, que era todo branco e parecia um quarto de hospital.
Nesse, a luz era suave e, conforme meus olhos foram se acostumando, pude notar as paredes de um tom creme, os móveis simples, porém elegantes. O cheiro de chá recém-preparado pairava no ar.
Ao virar a cabeça para o lado, meu coração se apertou ao ver minha mãe adormecida, sentada em uma poltrona ao lado da cama. Parece que ela sentiu que estava sendo observada, pois logo acordou assustada e olhou em minha direção.
— Alice… — sua voz saiu preocupada, e ela estendeu a mão na minha direção. Estiquei meu braço e segurei sua mão. — Como você está se sentindo, minha filha? — perguntou mamãe, naquele tom de preocupação. Sorri para ela. Como sou sortuda por Antônia ter me encontrado e me criado.
— Estou me sentindo como se tivesse sido atropelada. Meu corpo todo dói — comentei.
— Isso é porque está há alguns dias deitada nessa cama. Seu corpo está se acostumando com sua condição atual — disse mamãe. Estranhei sua fala, mas acho que ela está se referindo ao fato de eu ser filha de uma deusa.
— Mãe, onde estamos? E como soube o que aconteceu? — perguntei.
Mamãe apertou minha mão com carinho. Seu rosto estava mais envelhecido do que eu me lembrava, as rugas ao redor dos olhos mais profundas. Havia exaustão em sua expressão, mas também amor. Parece que mamãe não tem descansado. Me senti muito culpada por ser a responsável por seu cansaço e preocupação. Sou uma péssima filha. Pensei.
— Estamos na casa da deusa Lua. Não me pergunte onde fica — respondeu mamãe, incomodada.
— O quê? Por que estamos aqui? — perguntei, não gostando nada dessa situação. Não queria ter contato com minha progenitora.
Recuperei minha memória e lembrava como era nossa relação. Eu não queria ter que lidar com a deusa. Me senti nostálgica por estar em casa na minha antiga casa depois de tanto tempo. Mas não me lembro desse quarto, pelo menos não era o que eu usava quando vivia aqui.
— Selene disse que Darius foi embora e te deixou, e você ficou inconsciente após recuperar a memória. Ela e Lulu acharam melhor te trazer para cá em vez de levá-la para outro lugar. E, segundo Lulu, seu corpo estava passando por uma transformação, e nenhum mortal conseguiria te ajudar, somente a deusa Lua — disse, contrariada.
— Espera… A deusa te revelou o nome dela? E por que trouxe a senhora para cá? — perguntei, confusa.
— Penso que aquela sua mãe quer te agradar e conquistar minha confiança para chegar até você. Lulu disse que prometeu te proteger, então foi me buscar na mansão de Darius e me trouxe para ficar perto de você. Elas me contaram tudo o que aconteceu — comentou mamãe.
Meu coração se apertou ao ouvir o nome de Darius. Eu estava sofrendo por nossa situação atual, mas não posso pensar nisso agora, porque preciso conversar com minha mãe e saber se ela também me odeia, agora que sabe da verdade, que descobriu o que fiz no passado.
— A senhora também me odeia? — perguntei, aflita. Mamãe me olhou séria e suspirou.
— Alice… Lembra que falei que precisaríamos conversar quando você estivesse melhor? Então… Essa conversa não será fácil. Darius… Ele está furioso. Ele… Está magoado e machucado. Tente entender o lado dele — ela suspirou e abaixou o olhar. — De acordo com Lulu, ele decretou que você está banida da alcateia. Disse que não quer te ver mais — comentou minha mãe, com pesar.
O ar foi arrancado dos meus pulmões. Meu corpo se enrijeceu e senti como se o mundo ao meu redor tivesse parado. As palavras de mamãe ecoaram em minha mente como um trovão. Banida. Expulsa. Devo estar morta para ele. Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Não… Ele não pode… — minha voz quebrou, e eu apertei os lençóis ao meu redor, sentindo uma dor dilacerante tomar conta de mim. Mamãe se aproximou mais, acariciando meus cabelos com ternura.
— Minha menina, ele está machucado. Ele se sente traído. Mas sei que ainda te ama. Só está cego pela dor e pela raiva agora. Ele se sente traído por você — falou mamãe. Uma lágrima quente escorreu pelo meu rosto.
— Eu não queria mentir… Eu nem sabia… Eu… — minha voz falhou. — Ele não vai me perdoar, não é? — perguntei. Mamãe respirou fundo, segurando meu rosto com as mãos firmes e carinhosas.
— O tempo cura feridas, Alice. Mas algumas cicatrizes nunca desaparecem completamente. Você precisa ser forte agora, minha filha. Precisa decidir o que quer fazer daqui para frente. E dar tempo e espaço para ele — aconselhou.
Engoli o choro e cerrei os punhos. Meu coração doía, mas dentro de mim havia um resquício de determinação. Eu não podia simplesmente aceitar isso. Não sem lutar.
— Preciso vê-lo. Preciso falar com ele — falei, determinada.

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