POV DARIUS.
— Apenas quando acho que vale a pena. E, no caso de Alice, vale mais do que qualquer coisa. — Minha voz saiu mais suave, mas não menos convicta. — Contudo, quero que minhas ações falem mais alto que minhas palavras. Estou disposto a provar meu valor, senhora Miller. — Falei. Ela ficou em silêncio por um momento, avaliando cada palavra minha com olhos atentos. Finalmente, soltou um longo suspiro e olhou para Alice.
— Ainda não gosto dele. Mas vou dar uma chance de se redimir. E também não posso fazer nada por enquanto, já que esse rapaz parece ter grudado em nossa família. — Disse Antonia, nada feliz. Ela voltou seu olhar firme para mim.
— Não me dê motivos para me arrepender. Mas não pense que me conquistou ou vou facilitar para você. — Disse séria e firme. Assenti, mantendo meu tom sereno e direto.
— Não darei, senhora Miller. É uma promessa. — Falei. Eu estava me esforçando e muito para ser gentil e atencioso. Não era da minha natureza lupina amaldiçoada ser tão gentil.
— Você até que se saiu bem. Talvez ela não te odeie para sempre, — Baltazar comentou.
— Ainda é cedo para conclusões. Mas fique sabendo que ela te odeia mais que eu. Lembre-se que Antônia detesta o Lobinho. — respondi debochado.
Eu sentia que o caminho para conquistar Antonia Miller seria longo e trabalhoso, mas ela não era importante para mim, mas sim sua filha. Se tivesse que conquistar essa humana idosa e turrona, para chegar até Alice, eu faria esse sacrifício. Eu nunca fujo de uma boa batalha. Antônia ainda parecia desconfiada, mas sua postura relaxou levemente. Ela virou-se para Alice, sua expressão suavizando um pouco.
— Esse homem é perigoso. Não é o tipo que você pode controlar. — Disse, como se fosse um aviso. Alice abriu a boca para responder, mas apenas suspirou, preferindo não alimentar mais a discussão.
O silêncio desconfortável caiu sobre o quarto por alguns segundos, e então Antônia suspirou, exausta pela conversa.
— Muito bem, Darius. Vamos ver se você é tão bom quanto diz ser. — Ela murmurou, reclinando-se novamente no travesseiro.
— Não vou decepcioná-la, senhora. — Respondi com um leve sorriso, antes de me voltar para Alice.
— Se precisar de algo, estarei lá fora. — Disse a ela, recebendo um breve aceno em resposta, antes de sair do quarto com passos tão firmes quanto os que me trouxeram.
POV ALICE.
Os últimos dias foram um turbilhão de emoções que nem sei ao certo como consegui suportar. Quando minha mãe finalmente acordou, após quarenta e oito horas de incertezas, senti como se um peso enorme tivesse sido tirado do meu peito. Ela abriu os olhos devagar, meio confusa, mas logo me reconheceu. O sorriso dela foi a coisa mais linda que já vi na vida, e naquele momento, tudo pareceu ficar bem, pelo menos por alguns instantes.
Bartolomeu e Agatha estavam praticamente morando no hospital, sempre por perto. Eles quase não saíam do meu lado nos primeiros dias, e confesso que isso me surpreendeu. Agatha tinha se mostrado muito carinhosa comigo, tentando me ajudar de todas as formas possíveis, e mesmo Bartolomeu, com seu jeito reservado, parecia genuinamente preocupado.
Darius, claro, também havia dado um jeito de garantir que eu não ficasse desamparada. Ele providenciou um quarto no hospital para que eu pudesse descansar enquanto minha mãe ainda estava na UTI.
No dia seguinte, minha mãe foi transferida para o quarto, passei a dormir numa poltrona ao lado da cama dela, recusando-me a deixá-la sozinha. Luís e Abi nos visitaram diariamente, trazendo notícias do sítio e tentando animar minha mãe. Luís, porém, não conseguia se aproximar muito, porque Agatha e Bartolomeu estavam sempre por perto, e pareciam vigiar cada passo dele.
Minha mãe no começo estranhou a presença dos dois, até serem apresentados como os pais de Darius, então ela deve ter entendido que eles estavam ali para me vigiar e passar informações sobre mim. Abi me contou haver levado Lulu para sua casa. Saber que minha gatinha estava sendo cuidada aliviou um pouco minha culpa por não estar presente.
— Não se preocupe com o sítio, Alice. — Luís disse num desses dias, embora houvesse uma amargura disfarçada em sua voz. — Darius enviou funcionários para cuidar de tudo. Ele está mantendo os contratos com o senhor Francisco e comigo. Eu apenas assenti.
Eu ainda estava sem coragem de confessar à mamãe como estava pagando a conta do hospital e a sua cirurgia. Isso, porém, mudou no momento em que precisei sair para ir até a cafeteria, deixando minha mãe sozinha no quarto com os pais de Darius. Quando voltei, encontrei os três conversando, e a tensão no ar era palpável.
— Alice. — Minha mãe começou, cruzando seus braços com esforço. — Seus sogros me contaram que você aceitou se casar com Darius. Quer me explicar o que está acontecendo? — Perguntou séria.

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