Ainda ofegante, caminhei até o lado da cama de hospital do Nolan e subi nela, tentando recuperar o fôlego. Seu enorme corpo preenchia a cama toda. Tive que ficar por cima dele.
E eu podia sentir, à medida que nossos corpos entravam em contato um com o outro, como ele estava bem perto da morte. Sua pele normalmente quente estava fria ao toque. As ataduras enroladas ao redor do seu peito estavam encharcadas de sangue, úmidas e grudentas, escurecendo a cada segundo.
“Oh, Nolan,” eu sussurrei repetidamente. Coloquei minhas mãos com cuidado em cada lado do seu rosto, alisando a barba por fazer em suas bochechas. Um tubo estava enfiado em sua boca e descendo pela sua garganta. Conectado a uma das máquinas que estava respirando por ele.
Eu precisava tirá-lo.
Nolan precisava beber do meu sangue, e ele não iria fazer isso com aquilo na boca.
Sem pensar, agarrei o tubo e arranquei pela sua garganta acima. Um som profundo e rouco veio da garganta do Nolan quando eu puxei o tubo. Então a máquina começou a apitar como louca e seu peito parou de se mover.
“Está tudo bem,” ouvi a mim mesma dizendo. “Estou aqui agora. Vai ficar tudo bem.” Joguei o tubo de respiração de lado, ouvi o barulho ao cair no chão.
Então mordi meu lábio. Forte e rápido, antes que eu pudesse hesitar.
O gosto de sangue era uma faísca de esperança.
Apertei seus lábios no ímpeto. Cobri-os de vermelho. Mas ele precisava beber do meu sangue. Usei uma mão para abrir a boca dele, posicionei minha boca sobre a dele e apertei e belisquei meu lábio para que sangrasse mais, gotejando em sua língua.
“Por favor,” comecei a implorar. “Por favor, Nolan, acorde. Você vai ficar bem agora, eu prometo. Vou fazer você melhorar. Mas precisa acordar e beber.”
Sua língua estava se encharcando com o meu sangue, mas ainda não estava funcionando. Ele estava frio e inerte. E não estava respirando, eu lembrei. As máquinas estavam todas enlouquecendo.
Alguém do lado de fora da sala tentou a maçaneta, percebeu que eu havia trancado. Eles bateram, batendo forte, e insistiram para que eu abrisse.
Cobri a boca aberta do Nolan com a minha e respirei nela. Ele não estava acordando tão rápido quanto eu precisava. Puxei o ar novamente e exalei na boca de Nolan mais uma vez. E novamente. Fazendo a respiração por ele como a máquina tinha feito, e colocando um pouco mais do meu sangue em sua boca a cada vez.
Lancei um olhar para o meu pulso. Poderia tirar mais sangue de lá do que do meu lábio. Mas seria ainda melhor se o Nolan pudesse morder a grande artéria no meu pescoço e beber direto de lá.
"Nolan, você precisa acordar", eu disse entre respirações, acariciando seu rosto. Nós dois éramos uma bagunça de sangue agora. O meu estava por toda nossa boca. O dele estava por todo nosso corpo.
Comecei a rasgar as bandagens ensanguentadas do peito dele. Elas eram densas e encharcadas, pegajosas e quentes. O curativo estava colado em vários lugares, tedioso e irritante para rasgar, algo que eu não teria conseguido fazer se não estivesse ainda em tal estado animal.
Mas eu finalmente consegui. O grande peito de Nolan, que os médicos haviam raspado, estava coberto de sangue fresco, e mais ainda vinha do ferimento circular no meio dele. Eles haviam costurado com pontos grossos e pretos, mas os pontos não estavam fazendo seu trabalho. O contínuo fluxo de sangue ainda forçava sua saída através dos minúsculos espaços entre eles, como se estivesse desesperado para escapar de seu corpo.
Eu senti meu rosto se contorcer em uma expressão de dor. Os médicos continuavam batendo na porta e ameaçando derrubá-la. Eu continuava respirando e sangrando na boca de Nolan.
E implorando, entre respirações, para ele acordar.
"Por favor, volte para mim, Nolan. Lamento muito que demorei tanto para chegar aqui. Lamento muito. Não quero nunca mais te deixar. Volte para mim agora, querido. Por favor, acorde."
As lágrimas estavam surgindo agora, saltando de meus cílios para o rosto de Nolan em uma fina névoa, e eu estava começando a entrar em pânico. Eu tive que parar de respirar por ele para evitar hiperventilação.

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