YENA
Infelizmente, Nolan não estava muito bem para isso hoje à noite.
Ele havia bebido vinho demais, e eu percebi.
A atitude dele estava meio infantil e fofinha: ele não parava de me dizer que eu era linda.
Não levei os elogios do príncipe bêbado tão a sério, mas não pude evitar gostar desse lado dele. Era bastante fofo.
Ele cobriu nós dois com um dos lençóis de cetim, de forma que quase ficamos enrolados, e me abraçou.
Depois, desmaiou enquanto me segurava, abraçando minha cabeça contra o peito dele.
Tenho certeza que ele adormeceu cheirando meu cabelo.
Contorci-me até conseguir sair do abraço de urso de Nolan, para ficar um pouco mais confortável. Entretanto, ele acabou me abraçando e me puxando de volta para perto, fazendo o máximo de força que eu o permiti fazer.
A paixão e a tensão que eu sentia com esse homem podiam ser estimulantes, mas também eram cansativas.
A noite foi boa, porque ele não estava na defensiva; Nolan estava sendo afetuoso e vulnerável.
Acariciei os cabelos escuros dele e admirei seu lindo rosto.
Seus cílios eram longos e de uma cor preta bem escura.
Sua barba já estava crescendo de novo, embora ele tivesse se barbeado hoje à tarde. Corri o polegar ao longo da curta barba por fazer, traçando o contorno de seu queijo bem definido.
Ele era tão arrogante. Tão meticuloso e indiferente. Tão frio e controlador.
Mas vi agora que não passava de uma máscara.
Por dentro, ele era outra pessoa.
Uma pessoa que eu estava começando a conhecer melhor, um pouco de cada vez.
Beijei-o de leve e adormeci em seus braços.
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Saímos na manhã seguinte para nossa lua de mel.
Fomos para o mundo humano; imagino que fosse porque Nolan queria fugir da imprensa do nosso mundo.
A primeira coisa que precisávamos fazer era uma visita ao chefe de Estado. O príncipe me disse que era nossa obrigação, como membros da realeza de outro país, visitá-lo no dia de nossa chegada.
Chamamos bastante atenção.
Foi excessivo para mim.
Era atenção demais; muitos olhos arregalados e curiosos me encarando.
Pediram-me para posar para mais fotos do que no dia de meu casamento. Minhas bochechas doíam, de tanto que me forcei a sorrir até o fim da visita.
Mas, no dia seguinte, o príncipe me fez uma surpresa maravilhosa.
Ele me acordou cedo e disse que era para eu vestir uma roupa bonita, mas não quis me contar aonde estávamos indo.
Fizemos uma longa viagem de carro até a cidade. Os arranha-céus ao longe pareciam até adereços de um set de filmagem. Eu nunca tinha visto uma cidade humana de perto antes.
Enfim chegamos, e ele revelou a surpresa.
Nós iríamos assistir a um desfile com designs de uma de minhas estilistas humanas favoritas, em um teatro grande e bonito perto da praia.
Caiu a ficha de que talvez esse fosse o plano de Nolan o tempo todo; o motivo de termos vindo aqui para a lua de mel.
Esse desfile só acontecia uma vez por ano. Nunca pensei que algum dia poderia vê-lo pessoalmente.
Nós nos sentamos, obviamente, na primeira fila.
Os designs eram geniais. As modelos se movimentavam com graciosidade e fluidez pela passarela e pareciam quase flutuar.
As luzes eram lindas, e a música me fascinava.
Porém, ligaram para o príncipe, distraindo-o.
Eu sabia que não era uma opção pedir para ele silenciar o celular, já que era um homem tão importante. Se precisassem dele, ele precisava atender.
Ele me pediu licença e se afastou para atender a ligação.
Não demorou para que Nolan voltasse. Se a história tivesse acabado por aí, eu não teria mais pensado no assunto.
Contudo, ele recebeu uma segunda ligação. Mais uma vez, ele se levantou no meio do desfile e saiu.
Estava começando a parecer grosseria. Estávamos sentados tão perto da pista que, toda vez que ele fazia isso, as outras pessoas na plateia podiam ver.
Na terceira vez que aconteceu, prestei atenção. Vi o príncipe tirar o celular do bolso e, antes que ele pudesse virar a tela para o outro lado, descobri quem estava ligando.

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