Era evidente que o príncipe poderia ter perdido o controle.
Mas ele se manteve firme e forte.
Foi por pouco.
Ele se forçou a se acalmar. Os braços não queriam ficar parados ao lado do corpo, mas ele se obrigou a mantê-los ali.
Adan tinha um olhar presunçoso no rosto. A aparência dele quase não havia mudado, pelo que Nolan conseguia se lembrar. O homem estava mais velho, sim, mas o meio-sorriso característico dele, sempre tão charmoso e sedutor, era exatamente o mesmo.
Nolan olhou para Yena, e seu corpo reagiu antes que ele pudesse detê-lo. Em um instante, o príncipe já a estava abraçando.
A princesa não tentou afastá-lo, mas ainda colocou a mão no peito dele e disse baixinho: “Nolan!” O rosto dela estava vermelho como um tomate.
Adan o havia chamado de “irmãozinho”.
Era assim que ele o chamava, com uma voz chorosa, para debochar de Nolan quando eram mais jovens, toda vez que o irmão mais novo estava bravo ou perdia a paciência.
“Irmão”, respondeu o príncipe, “Há quanto tempo.”
De alguma forma, ele conseguiu dizer isso em um tom que parecia calmo.
"Sim, faz dez anos", complementou Adan, portando-se com aparentes tranquilidade e gentileza. “Meus parabéns pelo casamento, irmãozinho. Você escolheu uma boa esposa."
Adan esboçou um grande sorriso para Yena.
Ela olhou de um homem para o outro algumas vezes.
“Adan”, disse ela por fim, "Obrigada pela sua ajuda. Acho que meu marido e eu deveríamos ir pra casa agora."
“Foi um prazer, princesa”, respondeu ele, curvando-se para ela.
Yena olhou para Nolan, sem saber o que mais dizer, depois se abaixou e entrou no carro.
Assim que ela deu as costas aos dois homens, Adan olhou direto nos olhos de Nolan e finalmente mostrou um grande sorriso malicioso. Em seguida, deu uma piscadela para o meio-irmão antes de se virar e sair andando na outra direção.
O príncipe e a princesa sentaram-se lado a lado no banco de trás do carro, mas parecia que estavam a quilômetros de distância.
Nolan olhou para Yena, sem saber por onde começar.
Ela respirou fundo e disse: “Já sei o que você vai dizer”.
Pelo menos um dos dois sabia.
"E peço desculpas", continuou ela. “Sei que falei que ficaria longe de Adan, mas ele tava esperando por mim do lado de fora da...”
“Para”, disse o príncipe com firmeza, mas sem gritar. Ele olhou para a divisória fechada, que separava o banco de trás do banco do motorista, e esperou que aquilo fosse à prova de som.
Yena ficou em silêncio.
Ele ouviu a respiração dela e teve a sensação de que a princesa estava tentando se manter calma com todas as forças.
“Precisamos conversar”, afirmou ele. “Mas não aqui.”
Eles ficaram em silêncio até chegarem ao palácio e continuaram assim, caminhando lado a lado pelos corredores, até a suíte. Yena dava passos rápidos para acompanhar as longas passadas de Nolan.
YENA
O príncipe arrancou o paletó e a gravata no instante em que fechei a porta do quarto atrás de nós. Sua camisa estava encharcada de suor no colarinho e nas axilas.
"Você vai conversar comigo agora?", perguntei.
Ele começou a andar pelo quarto. Aproximei-me para tentar detê-lo e fazê-lo olhar para mim.
Segurei a parte da frente de sua camisa, que ele havia desabotoado até a metade.
“Ele é só um amigo”, disse em um tom desesperado. Eu não estava fingindo.
O problema era que não sabia como fazê-lo acreditar que não havia motivo para se preocupar comigo e com Adan, ou comigo e qualquer outra pessoa. Eu desejava com todas as minhas forças que ele acreditasse em mim.
O príncipe ficou imóvel, encarando-me com fúria no olhar.
“Por favor, confia em mim”, sussurrei, “Não sinto nada por ele. Só quero você."
Terminei de desabotoar sua camisa, e ele continuou olhando em meus olhos enquanto eu o despia.
O coração dele estava acelerado; consegui ver pela veia pulsando em seu pescoço.
Coloquei ambas as mãos em seu peito. Ele estava queimando.
Eu estava inquieta.
Foi aí que ouvi a voz de Lily na minha cabeça.
'Diz que você ama ele, sua boba!'
Balancei um pouco a cabeça, como se estivesse discordando. Nolan apertou os olhos.
Eu não conseguia imaginar como ele reagiria se eu dissesse que estava apaixonada por ele. Toda vez que pensava nisso, lembrava-me da noite do baile.
'Talvez ele até se importe comigo agora', pensei, 'mas o que temos não é exatamente amor.'
Pelo menos não era para ele.
Lily rosnou.
'Você tá errada', insistiu ela, 'Ele te ama mais do que tudo no mundo.'
'E vocês são feitos um pro outro.'

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