Passei a noite vasculhando as caixas de Nolan. Eu não entendia exatamente por quê, mas sabia que havia algo ali que eu precisava encontrar.
Lily me disse para confiar em meus instintos.
E eu estava tentando melhorar nisso.
Eu não sabia o que estava procurando, porém não tinha dúvida de que descobriria assim que encontrasse.
E encontrei.
Havia uma pasta com algumas folhas de papel soltas dentro, junto com um pequeno envelope branco.
Meu coração começou a martelar no peito assim que toquei o envelope. De alguma forma, eu sabia que era isso que estava procurando.
Na verdade, talvez fosse Lily quem soubesse.
Ela parecia saber de tudo.
Peguei o envelope e vi que, na frente, havia apenas uma palavra escrita à mão com tinta: Nathan.
Sussurrei: "Nathan?"
Dentro do envelope havia uma carta. Uma anotação no topo indicava que era de cerca de seis meses atrás.
Li o conteúdo dela.
Minhas mãos estavam tremendo quando a pousei sobre a cama.
Era óbvio que tinha sido escrita para Nolan. Todavia, por alguma razão, o autor da carta conhecia meu marido por um nome diferente.
Fiquei sentada, encarando-a por um bom tempo; virando-a em minhas mãos, lendo-a e relendo-a.
Era uma carta de um velho. No final, ele somente a assinou com uma inicial: A.
Parecia que o homem estava doente e, por algum motivo, Nolan o estava ajudando. Fazia anos que o visitava regularmente algumas noites por mês.
Um sentimento bastante distinto em meu corpo revelou para mim o que tudo isso significava, antes mesmo que minha mente tivesse tempo de processar a informação.
Isso queria dizer que Nolan não estava me traindo.
Ele desaparecia algumas noites todo mês para fazer uma boa ação em segredo.
Ou seja, os boatos estavam errados. Meu rosto esquentou de tanta vergonha, e fiquei pensando como pude acreditar neles em primeiro lugar.
Pela manhã, Nolan me explicaria tudo. Eu daria um jeito de encontrar o secretário dele e voltaria à torre para vê-lo de novo.
Fiquei aliviada, mas também um pouco irritada. Queria que ele só tivesse me contado essas coisas.
Mas ele preferiu guardar segredo e me deixar em dúvida, mesmo que poucas vezes, a respeito de onde ele estava à noite. Nolan me deixou pensar que ele não era uma pessoa tão boa quanto era na realidade.
Minha boca estava seca. Fazia horas que eu estava sentada na cama estudando os documentos de Nolan, que estavam todos espalhados por cima dela, como se eu estivesse estudando para uma prova no dia seguinte.
Eu estava exausta, pois os últimos dois dias tinham sido longos e estranhos.
Enfiei a carta em minha bolsa e guardei o resto dos papéis de volta nas caixas, da maneira mais organizada que pude. Por fim, coloquei-as no mesmo lugar em que as encontrei no armário de Nolan.
Depois, tomei um banho quente e pedi para os criados trazerem o jantar para o quarto.
As pesadas cortinas estavam fechadas na frente das janelas, mas eu ainda podia ouvir o barulho abafado da tempestade lá fora.
Seria uma noite fria, ainda mais sem Nolan ao meu lado. A cama parecia grande demais e estava vazia sem ele.
NOLAN
Um leve brilho alaranjado estava começando a substituir a escuridão total dentro da torre, indicando a Nolan que havia amanhecido.
Ele não tinha dormido nem um pouco.
Nolan estava pensando bastante sobre o motivo de o pai tê-lo colocado na torre agora. Ele deduziu que era o mesmo da última vez.
O rei estava lhe ensinando uma lição.
E, por mais que Nolan odiasse admitir, ele precisava disso.
Logo mais, ele se veria envolvido em uma guerra.
Porém, havia se tornado preguiçoso. O príncipe tinha se permitido ficar confortável com Yena, e o amor o havia deixado cego e fraco, o que o fez baixar a guarda.
Adan não deveria ter conseguido armar para ele e sair impune.
Nolan o conhecia bem demais para se deixar cair nas falcatruas dele.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?