NOLAN
“Vossa Alteza tem certeza disso?”
O advogado de Nolan parecia preocupado.
“Tenho certeza”, respondeu o príncipe ao celular. “Quero que termine de preparar a papelada e envie ao meu escritório. Hoje."
“Claro, Vossa Alteza. Estará aí em algumas horas."
Nolan desligou a ligação e ficou parado ali, olhando para o fogo crepitando na lareira. Sua mente estava a mil.
Ele iria entregar os documentos do divórcio a Yena e dizer-lhe que era a única opção dela se ela quisesse ir embora para o mundo dos humanos para seguir seus sonhos.
Na verdade, divorciar-se dela era a última coisa que o príncipe desejava. Entretanto, era a melhor jogada a se fazer em um momento em que ele não podia ficar parado.
Se Yena ficasse com Nolan mas acabasse se perguntando se tinha valido a pena, ela não seria feliz naquele casamento.
Ele a amava demais para deixá-la viver com arrependimentos.
E, embora fosse uma jogada arriscada, era um risco calculado.
Yena o amava, disso o príncipe tinha certeza. Ela não iria deixá-lo...
Ele tinha quase certeza de que ela recusaria e lhe diria que não queria nada além de passar a vida com ele.
Para ficar pertinho dele, como se a gravidade de um atraísse o outro, para sempre.
Nolan estava certo disso.
E Yena não era a única que precisava saber com certeza como se sentia em relação a passar a vida com o príncipe. Ele também queria saber se era o que ela queria de verdade, e não uma situação pouco ideal com a qual ela estava apenas se virando.
Afinal, originalmente, ela aceitou se casar com ele em troca de dez milhões de dólares.
Nolan percebeu que a mão tremia. Ele pousou a xícara de café na mesa e colocou as mãos no rosto.
Em seguida, apertou um botão no interfone, e o secretário entrou correndo na sala.
O príncipe perguntou: “O que Yena tá fazendo?”
“Acredito que ela tenha pedido para mandarem o café da manhã ao seu estúdio uma hora atrás, Alteza.”
Com uma das mãos, Nolan tamborilou os dedos na mesa e, com a outra, limpou a boca. As duas coisas eram hábitos que tinha quando estava nervoso, e ele os odiava.
“Por enquanto é só.”
O secretário saiu da sala.
Na noite anterior, o príncipe resolveu que contaria tudo a Yena hoje. Mas não seria tão fácil assim, porque ele não poderia só falar de repente.
Era preciso surpreendê-la.
Ele se lembrou da primeira aula de esgrima que deu à princesa, quando lhe ensinou o básico.
Nolan lhe perguntou qual era seu pé dominante, e ela não sabia.
Então, empurrou-a para trás para ver como ela pararia a queda; ou seja, em qual pé se apoiaria para se equilibrar.
Yena ficou bastante irritada e perguntou se não havia outra maneira de descobrir qual era o pé dominante.
“Nenhuma que seja mais rápida”, foi o que ele disse.
Agora, o príncipe precisava fazer algo parecido.
Ele precisava testá-la.
Tudo o que queria ver era a primeira reação dela, e não a decisão que ela tomaria após pensar sobre o assunto. Ele precisava empurrá-la de novo para ver como ela realmente se sentia no fundo.
#
Nolan bateu na porta do estúdio de Yena.
De trás da escrivaninha, ela ergueu os olhos.
“Oi”, cumprimentou-o com doçura. A garota pareceu tentar sorrir, mas estava cansada demais para mostrar os dentes.
"Oi..."
Yena levantou-se, e Nolan atravessou o estúdio a passos rápidos.
Ele estava planejando apenas fazer uma visita rápida, para marcar um jantar na noite seguinte.
Isso significava que teria que preparar os documentos do divórcio hoje, além de planejar o que diria quando os mostrasse para ela e qual seria o plano depois disso.
Porém, quando Nolan olhou nos olhos dela, perdeu a coragem.
Yena parecia cansada e triste, era verdade... Entretanto, também parecia estar esperando por ele e estava muito feliz em vê-lo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?