Nolan lavou o rosto com água fria e se olhou no espelho.
A ressaca o havia deixado tonto, e seu reflexo estava embaçado no espelho.
Sua pele estava pálida e oleosa, e ele conseguia sentir o cheiro azedo de álcool exalando dela.
"Acorda!", disse o príncipe a si mesmo, esfregando os olhos para que voltassem a focar. Eles estavam inchados, com olheiras escuras por baixo.
Nolan deu um tapa forte no próprio rosto, na tentativa de se forçar a recobrar o juízo.
Isso ajudou a deixá-lo mais sóbrio.
Um banho rápido e quente também ajudou um pouco.
Ele precisava que a barba fosse feita, mas não tinha tempo de chamar um assistente para barbeá-lo adequadamente.
O homem foi um pouco rápido demais com a navalha e acabou se cortando bem no meio do pescoço. Sangrou mais do que ele esperava e demorou um pouco para parar.
Agora, ele com certeza estava atrasado para qualquer compromisso que o aguardava.
O príncipe olhou para as toalhas brancas havia usado para absorver o sangue e começou a pensar em Yena.
O sangue dele cheirava a metal, como a maioria dos sangues com os quais ele tinha entrado em contato.
O de Yena, porém, cheirava a morangos e tinha um sabor doce e açucarado.
Em seguida, Nolan começou a pensar no cheiro da pele dela também... Ele apoiou as mãos na pia e fechou os olhos, lembrando-se do cheiro dela.
Só de pensar nela, o homem já estava começando a ficar excitado.
Ele balançou a cabeça ao se dar conta disso e jogou mais água gelada no rosto. Depois, deu outro tapa na própria cara.
Por fim, o príncipe vestiu um terno limpo o mais rápido que pôde, amarrando a gravata com muito cuidado pois precisava evitar machucar mais o pescoço. A esperança dele era que não voltasse a sangrar no meio da reunião.
Quando o café tinha esfriado o suficiente, ele bebeu tudo de uma só vez. O estômago dele pareceu não gostar muito disso, mas ele precisava de energia.
"Sua mãe está esperando por você", avisou o secretário quando Nolan enfim saiu do escritório, parecendo o príncipe mais uma vez.
Ele agradeceu ao secretário, não tanto pela informação, mas pela forma como o ajudou de manhã.
"Não foi nada, Vossa Alteza", respondeu o subordinado.
Depois disso, Nolan seguiu seu caminho e respirou fundo, preparando-se para o que estava prestes a ouvir da mãe.
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"Não me faça explicar por que estou fazendo isso." A Luna estava olhando pela janela outra vez, de costas para Nolan apesar de estar conversando com ele.
Ele percebeu que ela estava girando a aliança de diamante no dedo novamente; ou seja, estava inquieta. Era estranho ver a rainha... ansiosa.
Isso também servia para deixá-lo nervoso.
"E o que você vai fazer?", perguntou Nolan, querendo acelerar as coisas e ir direto ao ponto. A torre da rainha era bem iluminada, com suas grandes janelas em todas as paredes... E o príncipe estava com uma ressaca terrível.
"Antes de contar meu plano, você precisa saber que já conversei com o rei sobre ele e recebi a... permissão dele para levar as coisas adiante."
Nolan lentamente tomou um gole da xícara de café quente que uma empregada tinha acabado de lhe trazer.
A Luna começou a andar sem pressa pelo cômodo.
"Para deixar claro", disse ela, "Ambos não queremos que você se divorcie de sua esposa. Mas, se tivermos que aceitar esse acordo extremamente idiota que vocês dois querem fazer... será necessário que eu controle a situação."
O príncipe não podia culpar os pais por pensarem que ele era um idiota.
Todos concordavam com isso.
"Parece que parte do dano já foi causado. E, se você e Yena não conseguirem se reconciliar e ela achar que é melhor ir embora do palácio... vamos permitir que vocês tenham uma separação de teste."
"Uma separação de teste?"
"Sim... Mas é uma coisa de curto prazo, para fazer antes de você pensar em entregar os documentos do divórcio."
Nolan pensou em como o semestre de Yena na faculdade estava para começar.
"De curto prazo, mas quanto? Quanto tempo você quer que ela fique antes de poder ir embora pro..."
Ele ficou relutante em terminar a frase.

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