— Você... — A garota parou de andar, brava e com o rosto vermelho, com muita inveja no coração.
Quem diabos era a mulher dele? Como não tinha notícia nenhuma na internet?
Os dois não se gostavam? Desde quando ela estaria sendo amante?
No Bentley preto na volta, Seu Jorge dirigia e de vez em quando olhava para trás pelo retrovisor. O rosto do patrão não estava muito bom!
Ele voltou ao país, mas passou dias sem ir para casa.
Ali de dia, em dia de semana, ele largou o trabalho do nada para voltar para ver a esposa?
Seria a saudade maior que recém-casados, ou se ele só gosta de se maltratar mesmo?
Gabriel olhou pela janela, as sobrancelhas levemente juntas e seus olhos escuros estavam fundos, tão sombrios que não se via a mínima emoção.
Esse caminho era familiar e estranho.
Cinco anos. Mais de mil e oitocentos dias... A pulseira brilhava fria sob o sol. O ódio dele por essa mulher não diminuiu em nada.
Quando o carro parou no pátio da Mansão Bellagio, Dona Nair correu lá em cima para avisar: — Sra. Albuquerque! Sra. Albuquerque! O patrão voltou!! Ele voltou!
Vestida de pijama, Beatriz botou meia cabeça para fora da coberta: — Voltou? — O sono sumiu na hora. Ela não conseguia acreditar.
— Sim, sim, sim! Acabou de sair do carro! Ele voltou! — Dona Nair ficou muito feliz por ela e, como se lembrasse de repente, perguntou: — A senhora quer leite ou água morna? O remédio...
A garota tirou a coberta e sentou, se acalmou por dois segundos: — Pergunta o que ele quer beber, aí você prepara. O remédio tá comigo.
— Tá bom.
Quando Dona Nair desceu as escadas correndo, viu Gabriel entrar pela porta. Cinco anos se passaram e ele ainda era aquele homem iluminado!
Um corpo com proporção de ouro, um rosto bonito como escultura e uma presença de nascença.
Ela correu para cumprimentá-lo: — Olá! Bem-vindo de volta! — Entregou-lhe os sapatos. A alegria transbordava nas suas palavras:
— O senhor finalmente voltou! O que quer beber? Leite ou água morna? Ao saber que o senhor voltou, a patroa ficou muito feliz! Ficou esperando em casa!
— Ah, é mesmo? — Gabriel disse nem frio nem quente. Os olhos escuros dele passaram de leve por ela, jogou-lhe o casaco que tinha tirado e, subindo as escadas, respondeu:
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