Mesmo hoje, lembrando de tudo de novo, Gabriel ainda sentiu um peso no coração difícil de explicar.
O que mais tocou nele foi quando encostou sem querer naquela cicatriz comprida nas costas dela.
Ela era torta e dura, e sentia gelada e áspera, nada a ver com a pele macia dela.
Na hora, o movimento dele parou por alguns segundos, como se tivesse levado uma facada, e os dedos tremeram.
Aquela cicatriz... foi ele quem deixou.
Era como uma marca silenciosa e viva na pele dela, que marcou fundo nele.
Gabriel fechou os olhos. O peito entupiu e estava pesado.
Depois, ele puxou o ar. Os dedos na mesa e ele sentiu uma pena forte.
Era um negócio que ele deixava passar, tipo uma culpa e um amor que escondeu por anos e nunca quis falar.
O que ele tinha por Beatriz era cheio de contradição.
Ele amava e odiava ela.
Beatriz ia trabalhar no Estúdio Vanguarda amanhã, então aproveitou a folga e foi na casa da amiga Larissa Silva, o Refúgio Zen.
A casa ficava num silêncio no meio do barulho, a natureza era a melhor energia. Era um quintal estilo chinês, cheio de paz.
Tinha uma árvore velha no quintal, com dois balanços. Parecia que estava no mato.
Larissa Silva, mulher, 26, solteira. Ganhou dez milhões na loteria ano passado e pediu a conta na hora.
Ela tinha cinco quintais que não abriam, um diferente do outro, e quando cansava de ficar em um, ia para o outro.
Todo dia só plantava flor, bebia chá, tomava sol.
Lia sobre filosofia o dia todo. Ela não pedia, não enrolava, não forçava a barra e nem queria aparecer. O povo chamava ela de mulher budista.
Agora, ela olhava a filha para Beatriz.
Era porque o quintal tinha muito verde, era bom para os olhos e dava para brincar.
Como mudou de fora para cá, tinha um bocado de coisa para emendar.
Quando entrou na porta, bateu um cheiro de lírio. Gabriel franziu e viu uma mulher de saia vermelha, colocando o lírio na mesa.
Quando a porta abriu, Clarice Xavier olhou: — Sr. Albuquerque. — Pegou correndo os papéis. O conjunto profissional servia certinho, deixando o corpo dela chique.
Quando o homem chegou mais perto, ela entregou os papéis com as duas mãos e falou baixinho:
— Isso aqui é os dados das vendas e também os planos novos, dê uma olhada.
— Não vou olhar, vá direto ao ponto. — O homem sentou na cadeira e olhou pro lírio gigante aberto.
Sim, ela era a mulher no bar quando ele voltou e saiu nos jornais tudo esses dias.
Clarice olhou pra ele meio perdida, ela era neta do mestre de Gabriel. Quando ele se foi, ele botou Clarice pra aprender, e ele disse que ia cuidar dela.
— Se não tem nada para falar, vai pra fora! — Gabriel cheirava aquilo, e ficou um pouco irritado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Retorno do Magnata: Sedução e Vingança