Qualquer um que ouça algo assim do médico responsável pelo tratamento de seu pai sente o coração falhar uma batida.
O sorriso no rosto de Luna desapareceu instantaneamente, dando lugar a uma expressão séria.
Seus lábios vermelhos se entreabriram, mas antes que ela pudesse dizer algo, Otávio se adiantou:
— Não se preocupe, não é uma má notícia. Mas... a situação também não melhorou de forma muito evidente. Anteontem fiz dois exames no Sr. Dias e os dados não foram tão bons quanto eu esperava. Vamos até o meu escritório conversar.
— Tudo bem.
Luna não hesitou e o seguiu até o escritório.
O escritório de Otávio estava impecavelmente arrumado como sempre, até as pastas sobre a mesa estavam alinhadas, sem sinal de bagunça. Ele puxou uma cadeira para Luna e lhe serviu um copo de água morna.
Bebeu alguns goles para hidratar a garganta antes de pegar uma pasta contendo todos os exames de Júlio e as anotações que ele mesmo havia feito sobre as alterações.
Ele levou cerca de dez minutos explicando o estado atual de Júlio, os riscos possíveis e as mudanças nos dados.
Luna ouvia atentamente e fazia perguntas quando não entendia algo.
Em resumo, a recuperação de Júlio estava muito lenta. Otávio planejava usar equipamentos médicos para auxiliar no tratamento por um tempo, na esperança de melhorar o quadro.
Júlio estava acamado há muito tempo, o que causou rigidez muscular nas pernas. Embora recebesse massagens diárias, o efeito não se comparava ao exercício de caminhar sozinho.
Em seguida, Otávio pegou o celular e mostrou algumas fotos dos equipamentos médicos, inclinando o corpo ligeiramente em direção a ela para explicar o princípio, os benefícios e o funcionamento de cada aparelho, bem como as vantagens para Júlio.
Luna também se aproximou para ver as fotos na tela do celular, ouvindo com atenção a explicação.
Otávio baixou levemente os cílios, observando o perfil sério e concentrado dela. Um perfume floral suave e refrescante invadiu suas narinas, como um gancho invisível puxando seu coração e fazendo-o bater um pouco mais rápido.
De repente, ele pensou que Luna era uma boa aluna.
Ao ouvir a explicação, ela parecia mais atenta do que o grupo de estudantes que ele ensinava, e certamente muito mais atraente.
Por trás das lentes, seu olhar mudou da polidez profissional e serena para um foco ardente. Seus cílios formavam uma cortina silenciosa sob a luz fria da tela do celular.
Todo o conteúdo do telefone desapareceu de sua íris, refletindo apenas aquele rosto liso, lindo e inigualável.
Uma mecha de cabelo que estava presa atrás da orelha dela se soltou com o movimento, cobrindo parte do rosto. Daquele ângulo, ele só conseguia ver o nariz pequeno e empinado e os lábios vermelhos e cheios.
Seu pomo de adão moveu-se inconscientemente; algum parâmetro médico travou na ponta da língua, esquecido.
A curva daquele fio de cabelo parecia mais complexa de decifrar do que qualquer função matemática ou cirurgia de alta complexidade.
Sem ouvir a continuação da explicação, Luna virou a cabeça, desconfiada. Otávio baixou a cabeça no momento exato e tirou os óculos.
Ela percebeu que estavam muito próximos e recuou o corpo, afastando a cadeira uns dez centímetros para o lado.
— Seus olhos estão incomodando? — perguntou ela.
Quando ele levantou a cabeça novamente, seu olhar já havia voltado ao normal, embora ainda estivesse um pouco profundo.
Ele baixou os olhos, notando, é claro, que ela havia afastado a cadeira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....