O tom dela era suave, sem pressa, como se estivesse conversando com uma amiga.
Mas Clara sabia que ela não era tão simples quanto aparentava.
Ela conhecia bem as habilidades e a astúcia de sua tia Daisy. Sozinha, enquanto a esposa original ainda estava viva e sem sequer se divorciar, Daisy conseguiu retornar à Família Silva com o filho, mantendo ambos sãos e salvos.
Mais do que isso, garantiu que Mateus crescesse sem preocupações e ainda aumentou seu próprio dinheiro e poder.
Por mais de uma década, raramente alguém mencionava seu status de amante; pelo contrário, todos tinham que tratá-la com respeito, chamando-a de "Sra. Cruz".
Isso, por si só, já demonstrava o quão habilidosa Daisy era.
No entanto, Luna, sem fazer alarde, conseguiu enviar a poderosa Daisy para a prisão e sair daquele turbilhão devorador completamente ilesa.
Clara já havia sofrido as consequências na última vez por ser irracional e impulsiva. Desta vez, ela estava muito mais ciente do preço de se opor a Luna.
Ela tinha um pouco mais de discernimento que Catarina.
Era verdade que ela gostava de Lucas e queria muito ficar com ele, mas não a ponto de se autodestruir por causa dele.
Além disso, era óbvio que a pessoa por trás daquelas mensagens de texto a estava usando. Ela não sabia quais seriam as consequências finais, nem quanto ganharia ou perderia com isso.
Portanto, depois de pesar tudo cuidadosamente, ela não queria correr o risco de ser alvo de Luna novamente e acabar esmagada.
Clara sentou-se. A mão que segurava o copo de água tremia levemente, mas, não querendo que Luna percebesse sua fraqueza, ela recolheu a mão e a escondeu sob a mesa.
Luna não a apressou; apenas pegou o celular e começou a navegar na tela.
Até o garçom entrar para servir os pratos, nenhuma das duas disse uma palavra.
Luna tomou dois goles da sopa e assentiu com satisfação.
— Este caldo está ótimo, devia provar.
Clara não tinha apetite algum. Estava ansiosa e um tanto confusa.
— Você... você não me detesta? Não me odeia? Como consegue ficar tão calma comigo?
— Por que eu deveria te detestar? Por que te odiaria? — Luna devolveu a pergunta, parecendo não entender. — Refere-se àquela vez em que disse aos repórteres que eu era insensível?
— Você já foi punida por isso. Eu não guardei mágoas. Para mim, nossa relação é um pouco melhor que a de estranhos e um pouco melhor que a de inimigos. Apenas neutra.
Clara ficou atônita, e um sentimento sutil surgiu em seu peito.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....