“Filomena Prudente, ainda gostava de Gilmar Vieira?”
No banheiro da penitenciária, uma mulher de feições ameaçadoras zombava, puxando com força os cabelos de Filomena, simulando que iria mergulhar seu rosto no vaso sanitário sujo.
Ao redor, várias detentas assistiam à cena como espectadoras de um espetáculo, os rostos estampando sarcasmo e excitação.
Filomena tremia de dor, lágrimas involuntárias escorriam de seus olhos entorpecidos. Ela balançava a cabeça de modo mecânico: “Não gosto mais, não gosto mais do Gilmar, nunca mais vou gostar do Gilmar...”
“Não gosta mais? Você está mentindo!”
A mulher agarrou seus cabelos e os lançou contra a parede, sem demonstrar nenhuma piedade.
Na verdade, a resposta de Filomena era irrelevante.
O que importava era que alguém queria torturá-la.
“Pff!” A líder do grupo cuspiu nos cabelos de Filomena. “Com esse seu jeito, ainda sonha em ser Sra. Vieira? Você não passa de uma rã querendo voar como um cisne! Não está à altura!”
“Ainda ousa correr até os guardas para nos denunciar dizendo que estamos te intimidando? Hoje mesmo vou destruir a sua garganta, sua vadia, pra ver se ainda tem coragem de nos dedurar!”
“Por favor, não! Eu errei, eu errei! Peço que me perdoem...” Filomena suplicava sem dignidade alguma, apenas para sofrer menos tormento.
Porém, suas súplicas não tiveram nenhum efeito, pelo contrário, cada vez mais detentas juntaram-se para participar daquela violência, descarregando nela toda a frustração e perversidade acumuladas pelo longo tempo de prisão.
Filomena encolheu-se no chão, protegendo a cabeça, o corpo magro e fragilizado parecendo uma plantinha que até o vento poderia quebrar, sem qualquer capacidade de resistência.
…
Por quê? O que ela havia feito de errado para ter que suportar tamanha humilhação e agressão sem limites?
A dor lancinante vinha de todos os lados, a ponto de Filomena quase não conseguir respirar.
Uma pontada sufocante no peito fez com que Filomena abrisse os olhos de repente e se sentasse na cama.
O beliche de ferro rangeu.
Ao ver o dormitório vazio da penitenciária, Filomena sentiu um calafrio.
Era um sonho, mas também não era.
Na porta do dormitório soou o barulho de um guarda batendo e abrindo a porta.
Filomena, por reflexo, pulou da cama e ficou em pé, tomada por um pânico súbito.
“Sra. Prudente?” A voz do homem soou pouco confiante.
Ao vê-lo, Filomena ficou alguns segundos sem reação.
Ela conhecia aquele homem. Era o mordomo da mansão de Gilmar, no Jardim dos Ipês.
Filomena, por hábito, chamou: “Heitor.”
A voz saiu rouca e áspera, soando estranha.
Os músculos do rosto de Heitor Coelho se contraíram quase imperceptivelmente, tomado de espanto.
Não era só ele quem teria dificuldade em associar aquela jovem magérrima e de voz rouca com a vibrante senhorita da família Prudente de quatro anos atrás.
Era quase impossível imaginar pelo que Filomena havia passado nesses quatro anos.
Reprimindo o choque, ele falou respeitosamente: “Sra. Prudente, Sr. Vieira me pediu para buscá-la.”
Filomena permaneceu em silêncio por alguns instantes e entrou no carro.
Antes de dar partida, Heitor ligou para o outro lado e informou: “Avise ao Sr. Vieira que já estou com ela.”

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