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O Troco do Destino romance Capítulo 138

De Recanto do Sabiá até o hospital da periferia, Filomena manteve-se serena o tempo todo, parecendo uma estátua de madeira.

Só se alterou ao entrar no necrotério subterrâneo e ver aquele corpo coberto por um lençol branco.

Com os dedos trêmulos, ela ergueu uma ponta do tecido que cobria o rosto da avó, desacreditada, e tocou a pele da idosa.

Filomena sentiu o frio percorrer-lhe todo o corpo, mas a pele da avó estava ainda mais gelada do que a sua.

No mesmo instante, Filomena sentiu-se completamente esgotada, com o olhar vazio, desabando nos braços de Gilmar.

Como aquilo podia ter acontecido?

Na noite anterior, sua avó estava tão bem…

Uma tristeza avassaladora abateu-se sobre Filomena, esmagando-a por inteiro.

Ela não conseguiu mais se conter e caiu em um choro desesperado, rasgando o silêncio do necrotério.

A dor, impossível de descrever, fez suas lágrimas jorrarem sem controle, molhando o terno preto de Gilmar.

Gilmar segurou Filomena, sentindo o corpo dela tremer de tanto chorar, enquanto as lágrimas encharcavam seu peito; seus lábios se mantiveram firmemente cerrados.

Ele não sabia como consolar alguém, tampouco sentia empatia.

Não sabia o que dizer.

Após pensar muito, conseguiu dizer: “Sua avó finalmente descansou, você deveria se sentir aliviada por ela.”

Filomena chorava tanto que mal conseguia respirar, o ar entrando e saindo de seus pulmões em soluços irregulares.

Com a garganta dolorida de tanto chorar, ela enterrou o rosto no peito de Gilmar e, quase sem voz, murmurou: “Mas agora, eu não tenho mais família.”

A avó era sua única parente.

E também a única pessoa que a amava.

Mas a avó a deixara.

De agora em diante, não haveria mais ninguém no mundo que a amasse…

Gilmar sentiu um aperto no peito e não disse mais nada.

Deixou Filomena chorar à vontade em seu abraço.

“A avó faleceu. Avise… o Joaquim e pergunte se ele pretende vir ao funeral.”

Ao desligar, com o rosto fechado, Isabel foi abordada por Joaquim, que perguntou, um pouco apreensivo: “Quem era? O que houve?”

Isabel suavizou um pouco a expressão: “Foi a Filomena. Disse que sua mãe morreu.”

Um lampejo de surpresa cruzou o olhar de Joaquim, mas em seguida ele pareceu aceitar a notícia: “Depois de tanto tempo, já estava na hora.”

Isabel pegou um punhado de sementes de abóbora da fruteira e, num tom ácido e cortante, comentou: “Podia ter morrido antes ou depois, mas foi justo no primeiro dia do ano, é um azar danado!”

E emendou, rindo com desdém: “Essa velha passou a vida toda preferindo uma neta bastarda, brigou com a família por causa de uma estranha, fez de tudo para ser uma boa pessoa, e no fim, o que ganhou? Nada de bom!”

“Para mim, aquela bastardinha só traz má sorte, quem se aproxima dela só se prejudica!”

Vanessa, atenta, captou algumas informações importantes nas palavras de Isabel.

Assustada, ela perguntou: “Mãe, o que você quis dizer com isso? Quem é a estranha?”

Se não tivesse entendido errado, Isabel acabara de dizer que Filomena não era filha legítima da família Prudente.

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